Após infestar algumas cidades do interior paulista e preocupar as autoridades locais, um escorpião-amarelo foi fotografado no  Jardim Veneza, em Peruíbe /SP.

Quem encontrou o exemplar foi o funcionário público, José Antônio, perto da casa onde mora: “Eu encontrei o exemplar praticamente morto e ele estava em cima de um muro, na rua onde moro. Resolvi levar para escola onde trabalho para mostrar para os professores e deixar à disposição para algum trabalho de educação ambiental”, disse.

De acordo com especialistas em aracnídeos,  trata-se de um exemplar de Rhopalurus rochai, espécie de ampla distribuição no nordeste do Brasil, principalmente nas  áreas abertas da caatinga, cujas  fêmeas são capazes de produzir, em média, 35 filhotes por ninhada.

Mas o que a espécie faz aqui?

A aparição da espécie causou estranheza entre alguns membros do grupo Aracnídeos Brasil (grupo fechado do facebook) por conta da distância entre Peruíbe e o local de sua ocorrência natural: “Sobre a ocorrência, vivemos um constante vai e vem de pessoas entre nordeste e os demais estados, considerando isso e a peculiar resistência desses animais, nada impede que esses animais transitem de um lugar para o outro, bem como que se estabeleçam em novas localidades” disse um dos membros do grupo.

Quanto a isso, José Antônio lembrou que viu um caminhão de mudanças na rua, no mesmo dia em que ele encontrou a espécie.

Ele é perigoso?

Não há registros de acidentes sérios por espécies que não sejam do gênero “Tityus”, mas é bom lembrar que todos os escorpiões apresentam veneno em seu aguilhão e podem causar, no mínimo, dor intensa no local da picada.

E quais são os escorpiões nativos de Peruíbe?

Em um estudo sobre os aracnídeos  publicado no livro “Estação Ecologica Juréia-Itatins – Ambiente Físico, Fauna e Flora ” foram encontradas duas espécies de escorpiões ao longo do trabalho de campo:  o “Thestylus glaziou”, um tipo de escorpião preto e  o “Tityus costatus”, de coloração amarela. De acordo com a leitura dos estudos, é possível concluir que as aparições são bem raras, isto é, que a Juréia, naturalmente, é pobre de escorpiões.

Existem outros registros na cidade?

De acordo com a prefeitura de Peruíbe, existem dois registros, sendo um no Guaraú e outro no Belmira Novaes, mas sem picadas em humanos ou animais. A prefeitura informou que “esta  acompanhando a devida limpeza dos locais pela Equipe de Combate as Endemias do Centro de Controle de Zoonoses e que não tem  conhecimento de acidentes ou picadas por escorpiões até esta data”, dados de outubro de 2018.

 E em caso de picada?

Como já foi dito, é bom saber que todos os escorpiões apresentam veneno em seu aguilhão e podem causar, no mínimo, muito dor no local da picada. Os primeiros socorros são os mesmos para picadas de aranhas e outros animais peçonhentos, onde a vítima precisa ser hidratada com água e  o paciente deve ser levado  ao serviço de saúde mais próximo. Não se devem realizar torniquetes, cortes ou furos no local da lesão ou picada.

Como evitar a presença destes bichos?

Manter jardins e quintais limpos. Evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico, material de construção nas proximidades e evitar folhagens junto a paredes e muros das construções. Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los, pois escorpiões podem se esconder neles e picam ao serem comprimidos contra o corpo. Acondicionar lixo domiciliar em recipientes que possam ser mantidos fechados para evitar baratas, moscas ou outros insetos que atraem os escorpiões. Preservar os inimigos naturais: aves de hábitos noturnos – coruja, joão-bobo, lagartos, sapos, galinhas, gansos, macacos e quatis, por exemplo.

O que foi feito com o exemplar encontrado no Veneza?

O exemplar coletado em Peruíbe está morto e encontra-se conservado nas dependências da E.E. Prof. Ottoniel Junqueira.

Texto e Reportagem: Márcio Ribeiro

Foto e Pesquisa: Márcio Ribeiro

Contato: [email protected]

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