Artista urbano alcança seis recordes com projeto que une arte e ação social

Uma das kombis grafitadas pelo artista Bonga Mac

Há décadas, o artista urbano Bonga Mac utiliza o graffiti como ferramenta de sensibilização e reflexão no espaço urbano de São Paulo, levando para as ruas um olhar provocativo que conecta arte e realidade social. Essa atuação contínua resultou na quebra de três recordes nacionais do RankBrasil: o Livro dos Recordes Brasileiros criado em 1999 e reconhecido como o primeiro e único sistema de homologação de recordes exclusivamente brasileiros, responsável por registrar feitos que se tornaram referência no país.

Conhecido pelo projeto Kombozas, Bonga Mac, nome artístico de Donizete Souza Lima, superou suas próprias marcas ao atingir 100 kombis grafitadas, 100 registros fotográficos oficialmente homologados e 100 veículos inseridos em uma mesma ação sociocultural, consolidando-se como hexa recordista do RankBrasil — organização que, ao longo de sua trajetória, reúne conquistas que vão de obras monumentais a iniciativas individuais, transformando ações locais em registros de alcance nacional.

No recorde “Maior número de kombis grafitadas por um único artista”, a marca anterior era de 40 unidades. Já na categoria “Maior número de registros fotográficos de kombis grafitadas por um único artista”, o número passou de 85 para 100 registros. O terceiro recorde “Maior ação social de kombis pintadas pelo mesmo artista”, também avançou de 40 para 100 unidades, todas realizadas sem cobrança financeira.

A trajetória de Bonga Mac na arte urbana teve início nos anos 1990. Para ele, o graffiti vai além da estética. “O graffiti é minha expressão de vida, é um modo de manifestar minhas ideias e minha criatividade”, afirma o artista. Suas referências atravessam diferentes gerações, linguagens e territórios, compondo um repertório construído ao longo de décadas de atuação na cultura de rua.

O reconhecimento pelo RankBrasil ocorreu por indicação de pessoas ligadas a grupos de proprietários de kombis. Segundo Bonga, a entrada na instituição representou uma mudança importante na visibilidade do projeto. “Foi muito gratificante. A concepção da atuação do Kombozas e a forma como o projeto passou a ser visto mudaram significativamente”, relata.

O Projeto Kombozas nasceu durante a pandemia da COVID-19, em um momento de restrições pessoais e profissionais, após o pai do artista sofrer um AVC. Impedido de atuar regularmente nas ruas, Bonga aceitou o convite de um amigo para pintar uma kombi. “A ideia era fazer apenas cinco. Depois pensei em me desafiar. Hoje são 100”, conta. Com o tempo, a iniciativa passou a incorporar uma dimensão social estruturada.

As pinturas são realizadas por meio de trocas solidárias, sem cobrança financeira. “A ação consiste na troca da pintura por alimentos ou cestas básicas. É uma forma de usar a arte como instrumento social”, explica. As doações são destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade, sem exposição pública dos beneficiados. O processo envolve o contato direto com os interessados, alinhamento sobre o caráter autoral das obras e definição dos locais de execução. Cada kombi leva, em média, de três a cinco dias para ser finalizada, e as intervenções não incluem publicidade comercial nem temas religiosos ou políticos.

Para o artista, quebrar os próprios recordes faz parte de um movimento contínuo. “Buscar ultrapassar meus limites, me testar e me desafiar é um processo que nos mantém vivos e ativos”, afirma. Atualmente, Bonga Mac projeta a ampliação do Kombozas para outras cidades e trabalha para viabilizar, por meio de patrocínios, a realização de um livro, uma exposição e um documentário sobre o projeto.

 

Sobre o autor

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Mestra em Ciências Humanas. Jornalista. Especialista em Metodologia do Ensino na Educação Superior e em Comunicação Empresarial.
Assessora de Comunicação. Blogueira de Cultura e de Mídias.
Sou apaixonada por programas culturais – principalmente cinema, teatro e exposição – e adoro analisar filmes, peças e mostras que vejo (já assisti a mais de 150 espetáculos teatrais). Também adoro ler e me informar sobre assuntos ligados às mídias de modo geral e produzir conteúdos a respeito.


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