Ainda me impressiono com as diferenças sociais e estruturais existentes entre uma cidade pequena e outra de médio ou grande porte. Fico curioso com a visão de mundo de alguns amigos que nunca deixaram o interior. Existe neles uma ilusão de que basta chegar à cidade grande para que tudo dê certo. Muitos não possuem nem um curso de nível superior, mas acreditam que não seria difícil conseguir um emprego que exigisse esse tipo de formação.

Vez por outra recebo o pedido de algum velho conhecido. A história é sempre muito parecida, as dificuldades da cidade pequena, a falta de emprego, a necessidade de tentar a vida numa cidade grande.

Estou sempre disposto a ajudar. Faço algumas perguntas para observar a reação do indivíduo: você estaria disposto a trabalhar em qualquer coisa? Se surgisse uma vaga como porteiro, atendente de call center ou vendedor, você toparia? Curiosamente a resposta é quase sempre a mesma: “eu queria arrumar algo na minha área”.

Aqui é bom esclarecer algumas coisas. Não estou tratando de pessoas com formação acadêmica ou larga experiência profissional em determinado setor. São apenas indivíduos que acreditam poder fazer a transferência das suas respectivas realidades para outro cenário, com um salário bem mais significativo.

Não se dão conta de que, mesmo com toda a formação necessária, mesmo com toda a experiência necessária, ainda assim seria preciso desenvolver redes de sociabilidades muito fortes. Para isso é preciso estar por perto, é preciso começar em cargos menos chamativos, é preciso mostrar eficiência, é preciso sociabilizar.

As redes de sociabilidade, aquilo que hoje é mais conhecido por sua nomenclatura em inglês, network, não recebem a atenção necessária. Ainda é muito grande o número de pessoas que subestimam essa ferramenta. Ter um amigo morando numa cidade grande não é necessariamente uma rede de sociabilidade.

Se nas cidades pequenas não nos damos conta dela – afinal, todo mundo se conhece –, nas cidades grandes essas redes precisam ser cultivadas com muita atenção e cuidado.

 

José Fagner Alves Santos