Logo em seguida ao clímax – o momento máximo em que após uma breve crise precedida de um significativo esforço atingimos o máximo do prazer – entra em ação, involuntariamente, uma função do corpo (sistema parassimpático) que fará todo o corpo relaxar.

Relaxar é tão importante quanto ter energia para investir em busca do gozo final. Isso porque é no relaxamento que se percebe que algo foi concluído. E surge a satisfação.

Mas, para que chegássemos ao orgasmo de nossa realização, foram necessárias as preliminares, que algumas vezes começam muito antes das próprias preliminares. Foi preciso provocar, prometer que vai ser bom demais, na verdade, melhor do que todas as experiências que a outra pessoa já vivenciou.

No intercurso foi preciso ir sentindo as reações do outro, observando que gestos e falas iam aumentando, e a excitação, afinal, quanto mais excitados estiverem os envolvidos maiores as chances de êxito.

Obstáculos poderiam surgir: um cão que ladra no quintal, alguém inconveniente que liga para o celular àquela hora ou mesmo uma atitude de uma das partes poderia ser simplesmente broxante.

Sim. Chegar ao ápice do deleite requer esforço! Mas, por maiores que sejam os obstáculos para alcançá-lo, parece valer muito a pena. Mas no fim o melhor a fazer é mesmo relaxar, pois conforme a célebre frase de Marta Suplicy, “relaxa e goza, porque depois você vai esquecer todos os transtornos”.

Transtornos passados e no porvir à parte, a partir de janeiro de 2019 os brasileiros de ambos os lados terão de baixar a bola, esquecer todo o trabalho que tiveram até a conclusão das eleições presidenciais de 2018. Quem gozou, gozou. Quem não chegou lá que aguarde a próxima oportunidade.

Não importa quem mentiu mais para convencer que era bom de cama, que faria mais e melhor que todos os antecessores e concorrentes. Tampouco importará se fomos para o leito em companhia errada. Se nos deixamos enganar, tudo a fazer será mesmo “relaxar e gozar” por longos quatro anos.

Chegará a hora de retomar o diálogo com aqueles com quem brigamos, pelo direito de querer ir para a junção com aquele que acreditávamos que faria tudo melhor.

Em breve surgirão novas paixões pelas quais brigar e aos poucos o tezão que nos fazia agir como irracionais, apegados aos motivos pelos quais queríamos ir para a suíte presidencial da vitória, com essa ou aquela pessoa, darão lugar a outras demandas.

Como diria a canção de Aleandro Baldi “Che sia odio, o che sia amore. Passerà”.

Que seja ódio, ou que seja amor. Passará.