Mostra “50 anos de realismo” no CCBB de São Paulo exibe obras que mesclam Arte e Realidade

Foto Mariana Mascarenhas: AB (prayer) de Craig Wylie 

De todas as mudanças significativas acontecidas na humanidade, o surgimento da fotografia, certamente, foi um marco mundial ao alterar, por completo, a percepção do homem sobre as diversas realidades registradas, graças à reprodutibilidade técnica.

No entanto, por mais que suas técnicas tenham se aproximado do cenário real em comparação a uma pintura artística, a fotografia jamais pode ser considerada um espelho daquilo que é fotografado, considerando os cortes de câmera, o contexto da imagem, o olhar do fotógrafo etc. Embora sejam perceptíveis as distinções entre a fotografia e a pintura, será mesmo que ambas não podem dialogar e até se mesclar?

A mostra 50 anos de realismo: do fotorrealismo à realidade virtual, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, é uma reflexão sobre como a pintura pode não apenas se igualar, como ultrapassar um registro fotográfico, em relação à percepção detalhista do artista para elementos retratados. Por meio de pinturas e esculturas, a exposição traz obras de pintores destacados do foto e do hiper-realismo desde a primeira geração desses artistas.

Gênero da arte que envolve a pintura, o desenho e outros meios gráficos, o fotorrealismo consiste na retratação artística de uma fotografia ou cenário de modo tão realista que pode, até mesmo, ser confundida com uma fotografia. É exatamente o que acontece com as obras expostas no CCBB composta por objetos e imagens de personagens cuja vivacidade não deixa de causar inquietação no público.

Cada detalhe trabalhado pelos artistas é um verdadeiro convite à reflexão sobre como arte e realidade podem estar interligadas e como a primeira revela-se uma extensão da segunda de forma crítica, reflexiva, questionadora etc. Portanto, o fotorrealismo não se trata de um espelho da realidade, mas da percepção de cada indivíduo sobre ela.

Fotos Mariana Mascarenhas  (clique para ampliar)

Walter Benjamim (1892 – 1940), filósofo e ensaísta alemão ressalta as diferenças da obra de arte e da técnica fotográfica em relação à perda da aura provocada pela segunda. Ele definiu aura como “a única aparição de uma realidade longínqua, por mais próxima que ela possa estar” (BENJAMIM, 2000, p. 227). Com a reprodução técnica, já não é mais possível sentir a aura dos elementos registrados, assim como a originalidade da obra que se esvai com a reprodução constante da fotografia. Porém, quando observamos as obras expostas no CCBB voltamos a sentir essa aura, por meio de um olhar para o real que transcende o registro fotográfico.

Referência:

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica: In: ADORNO et al. Teoria de cultura de massa. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

Serviço:

Exposição 50 anos de realismo: do fotorrealismo à realidade virtual

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil: Rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo – SP

Quando: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

Quanto: grátis

Até 14/01/19

Sobre o autor

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Mestra em Ciências Humanas. Jornalista. Especialista em Metodologia do Ensino na Educação Superior e em Comunicação Empresarial.
Assessora de Comunicação. Blogueira de Cultura e de Mídias.
Sou apaixonada por programas culturais – principalmente cinema, teatro e exposição – e adoro analisar filmes, peças e mostras que vejo (já assisti a mais de 150 espetáculos teatrais). Também adoro ler e me informar sobre assuntos ligados às mídias de modo geral e produzir conteúdos a respeito.


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