O filme, produzido por Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e dirigido por Cao Hamburger (Castelo Rá-Tim-Bum e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) foi filmado no Alto Xingu, com algumas cenas gravadas na Reserva do Morro Grande em Cotia. Xingu resgata a fabulosa e corajosa saga dos Irmãos Villas Boas, cujos nomes representam internacionalmente sinônimo de proteção à cultura indígena e de preservação dos modos de vida dos primeiros brasileiros que habitaram originalmente nosso continente.

 

Tendo como pano de fundo a própria Selva Amazônica – patrimônio da humanidade – formando um maravilhoso e extasiante cenário, o misto de aventura, documentário e romance começa com Orlando (João Miguel) e o jovem Leonardo (Caio Blat) embarcando numa perigosa aventura para o Alto Xingu, seguido por Claudio (Felipe Camargo). Despertando curiosidade e suspense, os irmãos embrenham-se pela floresta e fazem os primeiros contatos com os índios Caiabis, participando ativamente de seu relacionamento com os caraíbas (homem branco). Esse contato, a princípio positivo, gera um dos momentos mais dramáticos do filme, prendendo os olhares e a respiração da plateia: a chegada do branco trouxe epidemias de doenças que os índios não conheciam, como a gripe, que acaba por dizimar metade de uma aldeia. Tudo isso é mostrado com beleza e realismo pela produção da O2 Filmes.

Durante seu desenrolar, além de revelar vários aspectos da cultura indígena e não apenas seu relacionamento entre as diversas tribos, mas também com a civilização branca, a trama expõe muitas das agruras às quais os povos indígenas foram submetidos, face à sanha de enriquecimento movida por interesse dos homens brancos em expandir suas fronteiras agrícolas e exploratórias e a auto-suficiência e arrogância de alguns dos militares de então.

Apesar disso, tais acontecimentos geraram grandes conquistas, pois, em 1961, o então presidente Jânio Quadros cria o Parque Nacional do Xingu, que se tornaria um dos maiores parques indígenas do mundo e habitat atual de 14 etnias diferentes, totalizando cerca de 5.500 índios. Além dos caiabis, os irmãos foram os primeiros brancos a fazer contato com os kreen-akarore, uma tribo que jamais havia conhecido um homem branco, sendo este um dos momentos mais surpreendentes do filme.

Em suma, essa produção, que teve sua pré-estreia no Cine Sabesp, uma de suas patrocinadoras, é um filme deslumbrante, num cenário belíssimo. Trata-se de uma história real que nos orgulha de sermos brasileiros e das nossas riquezas naturais, mostrando que o cinema nacional tem amplas condições para protagonizar histórias belíssimas e que resgatam a nossa cultura e a presença do público aos nossos filmes, bem como história de verdadeiros heróis que contribuíram para a construção de nossa identidade. Um filme que promete arrebatar plateias e acaba de estrear nos telões.

Por Sérgio Eduardo Nadur