Das 429 espécies registradas em Peruíbe, 64 delas possuem um único registro sonoro ou fotográfico no site especializado em aves – wikiaves, o que acaba deixando algumas questões em aberto, que O GAROÇÁ compartilha para o leitor refletir:

1- Será que Peruíbe possui tantas espécies mesmo como se imagina ou o número alto de registros foram aparições esporádicas de algumas espécies?

2 -Supondo que aparições esporádicas de algumas espécies são eventos normais, os registros só aconteceram por que o observador estava na hora certa e no momento certo para fazer o registro, fato que não vem acontecendo?

3- Como a maioria destes registros possuem mais de três anos, será que os birdwatchers estão preocupados em fotografar sempre as mesmas espécies, principalmente as que vêm em comedouros?

Para tentar percorrer esta questão, O GAROÇÁ entrou em contato com o biólogo e ornitólogo, Bruno Lima, um dos pioneiros na observação de pássaros de Peruíbe e detentor sozinho de 45 dos 64 registros únicos feitos na cidade, número expressivo para quem está há tanto tempo fora do país, que disse: “Acho que registrei muitas espécies simplesmente por que eu era um dos poucos que se interessava em ver as aves. Outro motivo foi por que explorei muitos tipos de ambientes que hoje não estão sendo ainda bem explorados. Subimos serras, lugares inacessíveis, brejos e outros. Visitei matas primárias, dormi no mato”. Lima explica que há espécies que são incomuns para a região e que não serão registradas, mesmo que tenha 200 observadores ou apenas um, e acrescentou: “Quero ressaltar que o registro de espécies no wikiaves é muito importante para ajudar os pesquisadores a entender a distribuição das aves no Brasil. Por isso é muito importante a honestidade do observador. Por favor! Não inventem espécies! Você não ganha nada com isso e está gerando dados falsos”.

Outra opinião foi dada pelo biólogo, Mateus Santos, que falou que o perfil do observador está mudando em Peruíbe e em outros lugares: “Lembro que Peruíbe recebia especialistas do Brasil todo dispostos a realizar novos registros. Com a popularização do Birdwatching, que é a observação de pássaros, hoje vemos muitos grupos de curiosos ou “observadores de condomínio”, isto é, aqueles que querem fotografar, mas não gostam de entrar no mato”, falou.

Para o biólogo, Fábio Barata, proprietário do Mochileiros Hostel e Pousada, Peruíbe possui um grande número de espécies e para ele isso é inegável: “A cidade possui uma natureza privilegiada, com a presença de diferentes ecossistemas que faz com que a cidade abrigue um grande número de espécies de aves. Assim como em todos os ecossistemas, há espécies que são comuns e outras que são naturalmente raras”, explicou.

Quanto a questão dos registros esporádicos, Barata falou que podem significar diferentes coisas, como: Espécies ameaçadas por pressão de caça ou desmatamento. Espécies migratórias que eventualmente aparecem além do limite das suas distribuições conhecidas. Espécies que estão expandindo suas áreas de distribuição. Ou espécies que simplesmente não foram vistas antes, porque ninguém fez estudos ou “passarinhadas” em determinado lugar. Já na questão dos observadores de comedouros, falou: “Comedouros são usados como uma oportunidade de ver determinadas espécies em algumas situações e são montados por quem gosta de ver passarinhos no quintal”, disse. Para ele, a observação de aves não é dependente da manutenção de um comedouro: “Para observar aves, basta ir onde elas estão, como nas matas, parques ou mesmo nas grandes cidades. Podem estar ou não acompanhados com guias de bolso, binóculos, câmera fotográfica e ainda por profissionais especializados, que conhecem os hábitos e distribuição das espécies nos diferentes ecossistemas”.

Além dos 64 registros únicos da cidade, 22 espécies foram registradas duas vezes e outas 15 contam com três registros.  Há espécies que apareceram uma única vez, mas foram feitas diversas fotografias no mesmo dia, como é o caso de um exemplar do Tauató-pintado (Accipter poliogaster), fotografada no mesmo dia por Bruno Lima, Márcio Ribeiro, David Pasqualetti e João Marcelo Costa. Neste caso, ela não entra na conta de único registro para efeitos desta matéria.

As 64 espécies registradas uma única vez na cidade estão nas mãos de 12 birdwatchers e caso algum deles resolva encerrar a sua conta pessoal no wikiaves, a cidade perde também o registro feito uma única vez.

Por conta disso, O GAROÇÁ divulga, logo abaixo, a lista das 64 espécies, com o intuito de incentivar o Birdwatching e fazer com que mais registros destas espécies apareçam.

Lembrando que o Mochileiros Hostel e Pousada tem uma estrutura voltada para a observação de pássaros, recebe turistas do Brasil todo o ano inteiro e está localizado no Guaraú. Quem quiser “passarinhar” por lá deve entrar em contato pelos telefones (13) 98198- 1719 ,  3457- 9535 ou 3457-9521 ou pelo e-mail [email protected].

Outro local que também recebe passarinheiros é a Pousada Jardim das Aves, também localizado no Guaraú. Lá, além do Birdwatching, tem Safaris Fotográficos, Aventuras Ecológicas, Trilhas, Caiaques e Expedição para observar anfíbios, répteis, mamíferos, insetos e toda a natureza. Contato pelos  telefones (13) 3457-9541, (11) 99952-0333, (11) 99966-8080 ou e-mail [email protected] Outras informações no site www.pousadajardimdasaves.com.br ou face www.facebook.com/pousadajardimdasaves/

Então, bora passarinhar?

Confira a lista feita, com dados de dezembro de 2016:

NOME POPULAR NOME CIENTÍFICO AUTOR DATA TIPO
 
2008
1 Bobo-pequeno Puffinus puffinus Carlos Gussoni 2008 Som
2 Choquinha-pequena Myrmotherula minor Arthur Macarrão 2008 Foto
3 Viuvinha-de-óculos Hymenops perspicillatus Carlos Gussoni 2008 Som
       
2009      
4 Zidedê Terenura maculata Luiz Rondini 2009 Foto
5 Choquinha-carijó Drymophila marula Bruno Lima 2009 Foto
6 Trepador-quiete Syndactyla rufosuperciliata Bruno Lima 2009 Foto
7 João-botina-do-brejo Phacellodomus ferrugineigula Bruno Lima 2009 Foto
8 Tesourinha-da-mata Phibalura flavirostris Demis Bucci 2009 Foto
9 Calcinha-branca Atticora tibialis Bruno Lima 2009 Foto
10 Cigarra-verdadeira Sporophila falcirostris Bruno Lima 2009 Foto
       
2010      
11 Uru Odontophorus capueira Bruno Lima 2010 Foto
12 Cabeça-seca Mycteria americana Márcio Ribeiro da Silva 2010 Foto
13 Gavião-peneira Elanus leucurus Bruno Lima 2010 Foto
14 Sovi Ictinia plumbea Bruno Lima 2010 Foto
15 Maçarico-do-campo Bartramia longicauda Demis Bucci 2010 Foto
16 Periquito-rei Eupsittula aurea Bruno Lima 2010 Foto
17 João-porca Lochmias nematura Bruno Lima 2010 Som
18 Tororó Poecilotriccus plumbeiceps Bruno Lima 2010 Som
19 Pula-pula-assobiador Myiothlypis leucoblephara Bruno Lima 2010 Foto
20 Garibaldi Chrysomus ruficapillus Bruno Lima 2010 Foto
21 Coleiro-do-brejo Sporophila collaris Bruno Lima 2010 Foto
       
2011      
22 Mergulhão-pequeno Tachybaptus dominicus Bruno Lima 2011 Foto
23 Águia-pescadora Pandion haliaetus Bruno Lima 2011 Foto
24 Sanã-castanha Laterallus viridis Bruno Lima 2011 Foto
25 Maçarico-solitário Tringa solitaria Bruno Lima 2011 Foto
26 Caburé-miudinho Glaucidium minutissum Bruno Lima 2011 Som
27 Beija-flor-de-orelha-violeta Colibri serrirostris Bruno Lima 2011 Som
28 Bico-reto-de-banda-branca Heliomaster squamosus Bruno Lima 2011 Som
29 Falcão-peregrino Falco peregrinus Bruno Lima 2011 Som
30 Trovoada Drymophila ferruginea Bruno Lima 2011 Som
31 Choquinha-do-dorso-vermelho Drymophila ochropyga Bruno Lima 2011 Foto
32 Entufado Merulax ater Bruno Lima 2011 Som
33 Tapaculo-pintado Psilorhamphus guttatus Bruno Lima 2011 Som
34 Tovaca-campainha Chamaeza campanisona Bruno Lima 2011 Som
35 Fruxu Neopelma chrysolophum Bruno Lima 2011 Foto
36 Caneleiro-verde Pachyramphus viridis Bruno Lima 2011 Foto
37 Tropeiro-da-serra Lipaugus lanioides Bruno Lima 2011 Som
38 Guaracava-grande Elaenia spectabilis Márcio Ribeiro da Silva 2011 Foto
39 João-pobre Serpophaga nigricans Bruno Lima 2011 Foto
40 Capitão-castanho Attila phoenicurus Bruno Lima 2011 Foto
41 Maria-preta-de-bico-azulado Knipolegus cyanirostris Bruno Lima 2011 Foto
42 Verdinho-coroado Hylophilus poicilotis Bruno Lima 2011 Foto
43 Japacanim Donacobius atricapilla Bruno Lima 2011 Foto
44 Tico-tico-do-campo Ammodramus humeralis Bruno Lima 2011 Foto
45 Tietinga Cissopis leverianus Bruno Lima 2011 Som
46 Cigarra-do-coqueiro Tiaris fuliginosus Bruno Lima 2011 Som
47 Azulão Cyanoloxia brissonii Bruno Lima 2011 Foto
       
2012      
48 Anambezinho Iodopleura pipra Bruno Lima 2012 Foto
49 Maria-pequena Phylloscartes sylviolus Bruno Lima 2012 Foto
50 Alegrinho Serpophaga subcristata Bruno Lima 2012 Foto
51 Maria-cavaleira-de-rabo-enferrujado Myiarchus tyrannulus Bruno Lima 2012 Foto
52 Gralha-do-campo Cyanocorax cristatellus Bruno Lima 2012 Som
53 Saíra-lagarta Tangara desmaresti Bruno Lima 2012 Foto
54 Tipio Sicalis luteola Diogo Lagroteria 2012 Foto
       
2013      
55 Inhambu-chintã Crypturellus tataupa Prsicila Esclarski 2013 Som
56 Trinta-réis-de-coroa-branca Sterna trudeaui Márcio Ribeiro da Silva 2013 Foto
       
2015      
57 Mandrião-pomarino Stercorarius pomarinos Bruno Neri 2015 Foto
58 Trinta-réis-boreal Sterna hirundo Bruno Neri 2015 Foto
       
2016      
59 Batuiruçu-de-axila-preta Pluvialis squatarola Fabio L. Donizete 2016 Foto
60 Mandrião-antártico Stercocarius antarcticus Leonardo Casadei 2016 Foto
61 Corujinha-do-sul Megascops sanctaecatarinae Francisco Neves 2016 Foto
62 Piolhinho-chiador Tyranniscus burmeisteri Fabio L. Donizete 2016 Foto
63 Guaracava-de-crista-branca Elaenia chilensis Fabio L. Donizete 2016 Foto
64 Azulinho Cyanoloxia glaucocaerulea Fábio L. Donizete 2016 Foto

Reportagem e Pesquisa: Márcio Ribeiro

Fotos e Texto: Márcio Ribeiro

Fonte: Wikiaves

Postagem: O Garoçá

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