Uma cobra foi filmada na Juréia em atitude rara, difícil de ver: Chacoalhando o rabo. A ação dela seria comum, caso fosse uma Cascavel (Crotalus durissus), mas a Mata Atlântica da Juréia não é o habitat natural desta outra serpente.

Em uma busca superficial pelos principais sites mostrados pelo google, não há registros de cobras com guizo na Mata Atlântica do sudeste.

De acordo com o biólogo, Thiago Malpighi, a cobra filmada é uma Caninana (Spilotes pullatus), comum na região, com atividade diurna e semi-arborícola. Se alimenta de ovos, roedores, morcegos e aves jovens: “Essa serpente, quando perturbada, pode elevar a parte anterior do corpo e achatar lateralmente a região do pescoço, alem de vibrar a cauda contra o solo produzindo som”, falou ele.

A Caninana, apesar de agressiva não é venenosa, mas existem outras em nossas matas que podem até levar ao óbito, como a Jararaca e Jararacussu, por exemplo.

Por isso, ao andar em uma trilha, é imprescindível a presença de um Monitor Ambiental (Guia especializado e preparado para trabalhar em áreas naturais) que cuidará de sua segurança.

Veja o vídeo:

 

Cuidados com cobra!

– As cobras possuem a temperatura igual ao ambiente: Em dias mais quentes elas ficam mais ativas. Em dias frios, elas tendem a ser mais preguiçosas.

– O habitat preferido das serpentes são os capinzais, florestas densas e ramos de árvores. Ao andar nesses locais, preste muita atenção onde colocar os seus pés, pois toda cobra atacará se for pisada. Ao subir em galhos e rochas, certifique-se que o local onde você vai colocar as mãos não tenha uma cobra.

– Dê preferência às botas de cano alto. Segundo as estatísticas, 80% das picadas são abaixo do joelho.

– A maioria das serpentes tem hábitos terrestres, mas é bom prestar atenção ao entrar em rios e lagos.

– As cobras, quando não estão caçando, ficam escondidas em locais abrigados, escuros e úmidos, como buracos, ocos de árvores e pedras. Não coloque suas mãos nesses locais.

– Ao acampar, evite deixar suas botas, mochilas e outros pertences ao ar livre. Uma víbora poderá se utilizar de um desses abrigos gentilmente cedidos…

– Ao se deparar com uma, mantenha a calma. Se ela estiver indo para algum local, sem prestar atenção em você, é porque ela não fará nada. Deixe-a ir, sem molestá-la. Se ela se mantiver imóvel, olhando para você, ela pode estar preparando o bote. Não faça movimentos bruscos, e afaste-se lentamente do local. Algumas espécies podem saltar 1,5m. O bote é proporcional ao tamanho, geralmente 1/3 do comprimento da víbora. Saia o quanto antes do campo de ação da cobra. Mas lembre-se: um gesto que pareça suspeito e ela atacará.

– Caso ocorra uma picada, nada de pânico. Primeiramente, tente reconhecer se a cobra é peçonhenta (se injeta veneno). Não é recomendado sugar o veneno com a boca (a peçonha penetra na mucosa bucal e quem sugar também sofrerá o efeito do veneno).

– A vítima deve permanecer em repouso para que o veneno não se espalhe no organismo. Entretanto, deve-se providenciar sua remoção imediata para um posto de saúde. Avalie se é possível o deslocamento da vítima ou se será necessário chamar ajuda.

– Antes de levar a vítima do local, identifique (se possível) a cobra que picou. Observe com atenção as cores e formatos de suas listas/manchas, formato da cabeça e da cauda, tamanho, etc… Isso é fundamental para que seja ministrado o soro antiofídico correto.

– Ainda que não seja uma cobra venenosa, é importante ministrar os primeiros socorros adequados e levar a vítima a um posto de saúde. Mesmo sem injetar veneno, a cobra poderá transmitir uma infecção.

– Não mate as cobras. Elas tem um papel fundamental no ecossistema e matanças poderão desequilibrar o meio ambiente.

Reportagem e Pesquisa: Márcio Ribeiro

Filmagens e Fotos: Márcio Ribeiro

Colaboração: Dico Biguá e Maurício Oliveira

Postagem: O Garoçá

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