Todos nós admiramos pessoas que impulsionam nossas ações

No fim do ano passado recebi o pedido de um primo. Ele queria um retrato a lápis de sua avó que acabara de falecer. Taric, o meu primo, havia sido criado por ela, como se filho fosse. Ela faleceu sozinha em sua casa. Foi Taric quem encontrou seu corpo no dia seguinte.

Maria de Lourdes (Ou simplesmente Ninha, como era conhecida) era minha tia avó. Filha de um português com uma índia tapuia. Provavelmente a pessoa de maior importância para toda a família. Foi por causa dela que todos se mudaram para Ipiaú. Sua casa era ponto de referência para qualquer um que chegasse de fora tentando reencontrar a família. Ela deu apoio a cada um dos parentes e amigos que, em algum momento, precisou de sua ajuda.

Possuía defeitos, como todo e qualquer ser humano, mas suas qualidades tinham um peso muito maior.

Criou muitos filhos e netos. Confesso que eu não saberia precisar o número. No entanto, em seus momentos finais ela estava só. Ela, que sempre esteve presente para toda a família, não teve ninguém presente em seu último suspiro.

Quando Taric me fez o pedido, eu estava atarefado com o fim do mestrado. Estava terminando e revisando minha dissertação. Só há dois ou três meses pude produzir o desenho que ele tanto desejava. Na semana passada, o retrato chegou às suas mãos.

Seu interesse, ao que me parece, é manter viva a memória daquela que foi a matriarca da nossa família. Para isso, ele vem desenvolvendo alguns projetos lá na cidade.

Apesar da distância, vou acompanhando lentamente suas articulações. Torcendo para que a lembrança dessa brava mulher continue servindo para direcionar suas ações.

Termino com uma frase de Nietzsche, que dizia: “A recompensa final dos mortos é não morrer nunca mais”.

Força sempre. Se conseguirmos fazer a metade do que ela fez, já seremos grandes pessoas.

 

José Fagner Alves Santos