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Por Mariana da Cruz Mascarenhas

Qual é a fórmula para o sucesso? Talvez o segredo para descobri-la é justamente saber que não há fórmula certa. Ele pode estourar repentinamente e, do dia para a noite, transformar filmes, peças, músicas e artistas em ícones consagrados pelo mundo. É algo que pode surgir, inclusive, de onde menos se espera, como é o caso da produção cinematográfica de 1975, The Rocky Horror Show.

Dirigido pelo australiano Jim Sharman, o longa é uma comédia musical de terror classificada como “Filme B” – antigas películas de baixo orçamento que reproduziam ficção científica, terror, mistério, entre outros gêneros, tendo como cenografia objetos canhestros, atuações e diálogos forçados, recheados de clichês e figurinos para lá de esquisitos – adaptado de uma peça teatral escrita por Richard O’ Brien, que estreou num pequeno teatro de Londres, em 1973.

Uma história simples que poderia cair no esquecimento, mas acabou consagrando-se pelo mundo afora e ganhou sua versão teatral brasileira, dirigida por Charles Moëller e Claudio Botelho, indo parar no palco do Teatro Porto Seguro. O espetáculo conta a história de um casal de noivos puritanos (papéis de Bruna Guerin e Felipe de Carolis) que vão parar num estranho castelo numa noite chuvosa, depois que o carro deles enguiça na estrada.

Lá dentro eles encontram um grupo de criaturas esquisitas, entre eles o cientista Frank N. Furter (Marcelo Médici), um travesti amalucado que faz inusitadas experiências, como fabricar um ser humano musculoso (Felipe Mafra). Depois de passar uma noite no castelo, a vida do pacato casal nunca mais será a mesma diante de estranhos acontecimentos que se sucederão, incluindo experiências sexuais com o cientista louco.

Apesar da simplicidade da história, o longa Rocky Horror Show chegou a causar polêmica na época de sua estreia ao trazer para os telões um travesti como protagonista da trama e suas aventuras sexuais. Os anos se passaram, a receptividade com histórias do gênero tornou-se maior, mas ainda assim é difícil encontrar obras cujos protagonistas sejam transexuais ou travestis, nos fazendo refletir, inclusive, como o preconceito ao diferente ainda transita pela sociedade, infelizmente, mesmo que de forma bem distinta de décadas anteriores.

Na versão de Moëller e Botelho, a fórmula para o sucesso do musical vai além da notoriedade da história, ao contar com um elenco talentoso que diverte a plateia durante os cerca de 90 minutos de espetáculo.

A presença de Marcelo Médici no papel do protagonista, por exemplo, dispensa comentários. Como é de praxe nas comédias encenadas no palco em que ele participa, o ator encanta, brilha e provoca risadas durante todo o tempo que está em cena, sem cair no estereótipo forçado.  Muito pelo contrário, a naturalidade com que Médici encara o seu papel nos dá a sensação que ele brinca em cena ao mesmo tempo em que domina sua atuação. Destaque também para a atriz Jana Amorim, no papel da tiete, e o ator Thiago Garça, no papel de fantasma, que apresentam um trabalho corporal fantástico.

Rocky Horror Show é um espetáculo que consegue extrair muito do pouco, ao nos provocar uma reflexão sobre como lidar com as diferenças, com base num simples enredo que se eternizou na história das artes.

Serviço:

The Rocky Horror Show

Sextas e sábados, às 21h e domingos, às 19h

Teatro Porto Seguro: Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.

Telefone (11): 3226.7300.

Bilheteria: terça a sábado, das 13h às 21h e domingos, das 12h às 19h.

R$ 50,00 a R$ 120,00

Até 11 de dezembro de 2016*

Serviço de Vans: TRANSPORTE GRATUITO ESTAÇÃO LUZ – TEATRO PORTO SEGURO – ESTAÇÃO LUZ. O Teatro Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até as dependências do Teatro. COMO PEGAR: Na Estação Luz, na saída Rua José Paulino/Praça da Luz/Pinacoteca, vans personalizadas passam em frente ao local indicado para pegar os espectadores. Para mais informações, contate a equipe do Teatro Porto Seguro.

*O espetáculo reestreia em 10 de fevereiro de 2017

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