Publicado em 21 de fevereiro de 2016 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Cidade de Boston, ano de 2001: por decisão do novo editor-chefe do jornal The Boston Globe, Marty Baron (Liev Schreiber), um grupo de jornalistas passa a aprofundar a investigação de casos de pedofilia cometidos na cidade pelo padre Geohan, desde 1996 – quando ocorreu a primeira denúncia –, e descobrem que o próprio Arcebispo de Boston, o Cardeal Bernard Law, pode ter contribuído para acobertar os casos ao transferir o religioso pedófilo para diferentes igrejas.

Na época o jornal não deu grande enfoque ao caso, publicando apenas uma nota a respeito no ano seguinte. Passados alguns anos, por decisão de Baron, tal notícia serviu de embasamento para o início de uma averiguação muito maior que pudesse revelar novos segredos muito mais escabrosos a respeito de abusos cometidos por sacerdotes.  Este é o cerne de Spotlight: Segredos Revelados, longa baseado em fatos reais.

Mas, à medida que a equipe de repórteres (papéis de Rachel McAdams, Brian d’Arcy James e Mark Ruffalo), liderada por Walter Robinson (Michael Keaton), sai a campo para a execução de seu trabalho, vai descobrindo que o pior ainda estaria por vir: após realizarem uma série de entrevistas com vítimas de pedofilia e pesquisarem mais a fundo sobre os religiosos, percebem que, somente na cidade de Boston, havia mais de setenta padres pedófilos, sem contar os demais espalhados por diversas outras cidades, países e continentes, segundo um próprio estudioso de tais casos relatara aos jornalistas.

O jornal opta então por preparar uma grande reportagem que focasse não apenas em casos isolados, mas no grande problema incutido dentro da Igreja, a fim de produzir um alarde que repercutisse pelo mundo inteiro, incentivando, assim, a denúncia de tais casos por novas vítimas.

 Sem recorrer a planos e efeitos especiais cinematográficos, Spotlight está totalmente focado nos diálogos extensos e muito bem trabalhados que enriquecem o longa. Por isso, mesmo sem efeitos, o filme consegue prender a atenção ao esmiuçar para os espectadores os bastidores de toda a linha investigativa que levou os repórteres ao sucesso de seu trabalho.

Vítimas de pedofilia que cresceram conturbadas, acordos feitos entre os advogados de defesa e acusação para que os crimes cometidos pelos sacerdotes não fossem revelados e o receio da Igreja Católica em ter sua reputação completamente destruída são alguns dos pontos enfatizados no longa, mostrando que, infelizmente, este é um tipo de crime que não se trata de uma exceção, mas sim que está cada vez mais radicado nos quatro cantos do planeta, porém ainda é pouco divulgado.

Dirigido por Tom McCarthy, Spotlight concorre ao Oscar de melhor direção, ator coadjuvante (Ruffalo), atriz coadjuvante (Rachel), roteiro original e montagem.

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