Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Prepare o fôlego! Se você já está habituado a assistir às grandes produções repletas de ação e suspense do diretor Martin Scorsese, entenderá melhor o que estou falando. Mas se não entender, basta assistir a sua mais nova produção, Silêncio.

Inquietando os nervos do público ao criar suspense e emoção por meio dos planos de filmagem, cores e movimentos de câmera – enfim pela conjunção da obra, que ganha uma singularidade e brilhantismo único nas mãos do diretor – assim como o foi em Cassino, Ilha do Medo, entre tantos outros, o diretor vem mais uma vez para nos estontear diante dos telões.

Desta vez o cerne do longa são as perseguições religiosas ocorridas no Japão do século XVII, em que a maioria dos cristãos é perseguida e morta das formas mais brutais que se possa imaginar, por se recusarem a negar Cristo diante das autoridades japonesas. Ciente de toda a situação e que o seu mentor da ordem jesuíta (Liam Neeson) havia desaparecido, e cujos boatos afirmavam que ele se convertera ao budismo, o padre Rodrigues (Andrew Garfield), acompanhado de seu colega Garupe (Adam Driver), ambos portugueses, vão ao Japão a fim de encontrá-lo.

Ao pisarem no país oriental inicia-se uma verdadeira saga para ambos, que mal conseguem se proteger, que dirá salvar os cristãos. Em diversos momentos, Rodrigues sente-se desolado pela sua fraqueza espiritual, diante da coragem de muitos cristãos ao se entregarem à morte, sem resistências, confiantes que irão para um lugar muito melhor, perto de Deus, desprovido de sofrimentos. Uma confiança invejável que conturba a mente do protagonista, o qual clama a Deus, mas não consegue ouvir respostas.

Os enquadramentos fechados, cores escuras e movimentos de câmera nos colocam no lugar do personagem principal, fazendo com que sejamos assolados por suas angústias e medos. Os efeitos cinematográficos tiram qualquer alívio do espectador durante todo o  filme, deixando-nos aflitos. Justamente esses são os sentimentos assoladores dos personagens, que poderiam ser capturados e mortos a qualquer instante.

Há uma complexidade cíclica de indagações ao longo da trama proposta ao público, graças à leitura do diretor sobre a situação. O que a princípio aparenta tratar-se apenas de brutalidades cometidas aos cristãos, desmembra muitos outros dramas como o dilema de não negar a Cristo sob pena do assassinato de várias pessoas, a imposição do cristianismo pelos jesuítas aos japoneses e diversas outras questões….

Garfield se entrega ao enredo e nos leva para esse cenário pesado e perturbador ao mesmo tempo. Silêncio é um filme para ser contemplado sob diversos prismas e abrir nossa mente a respeito das relações com o outro e sua espiritualidade.

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