Foto Guga Melgar

Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação. Se considerarmos o contexto social, econômico e político em que o Brasil se encontra hoje, as frases anteriores parecem ter sido escritas para o momento, mas, na verdade, fazem parte da canção Que País É Este?, composta por um dos maiores mitos da música brasileira: Renato Manfredini Júnior (1960 – 1996), conhecido pelo nome artístico de Renato Russo, lançada em 1987. Talvez nem toda a letra se aplique à atualidade, já que a atual situação está assassinando até mesmo qualquer crença ou esperança de um futuro melhor para o Brasil.

O fato é que, passados exatos trinta anos, não somente a música acima continua a repercutir entre as mais diversas gerações, como o sucesso de seu próprio compositor que, mesmo falecido há 21 anos, segue sendo lembrado, homenageado e contemplado não apenas por adultos, mas por muitos jovens que o conheceram por meio de seu vasto legado de ricas obras musicais. Essa diversidade etária em eventos voltados ao cantor, como é o caso, por exemplo, do espetáculo em cartaz no Teatro Frei Caneca: Renato Russo – o Musical. Acompanhado de uma banda ao vivo, a Arte Profana, Bruce Gomlevsky interpreta Renato Russo em diferentes momentos de sua carreira e vida pessoal, sem prender-se muito a uma linearidade temporal.

Ao contrário de outros musicais já apresentados em São Paulo e também em outras cidades, que retrataram a biografia de ícones brasileiros como Cazuza, Tim Maia, Chacrinha – entre outros – e eram compostos por grandiosos cenários, ricos em detalhes, além de um elenco numeroso, em Renato Russo há um cenário fixo, desprovido de muitos elementos, cujo elemento-chave é unicamente Bruce, que faz uma espécie de monólogo musical. E haja fôlego e energia para tal! Essas são duas características que o ator tem de sobra. Ele demonstra isso durante mais de duas horas de espetáculo.

Transitando entre diálogos e cantos, Bruce consegue nos transportar para as diversas fases do ícone musical brasileiro, de modo envolvente e brilhante. Paradoxalmente, o ator dialoga em cena sem a presença de outros atores, convidando o público a utilizar o imaginário para personificar na mente os demais personagens presentes na vida de Renato. É possível fazer isso muito bem, graças ao excelente trabalho cênico do ator, cujas falas dão a total compreensão de sua suposta conversa com outros personagens, que parecem se concretizar no palco. A expressão corporal do protagonista é outro fator de destaque, pois reproduz com exatidão os trejeitos do cantor encenado.

Em diversos momentos o público se empolga e canta junto com Bruce sucessos como Tempo Perdido, Eduardo e Mônica, Pais e Filhos, entre diversos outros hits, em cenas que se assemelham ao próprio show do cantor. A maestria com que o ator encara todo o espetáculo apenas contribui para aumentar ainda mais a admiração por Renato Russo e seu legado e despertá-la em quem não é tão fã, mas tem a curiosidade de conhecê-lo melhor.

Com direção de Mauro Mendonça Filho, o musical estreou há 11 anos, passou por mais de 40 cidades em todo o Brasil, contabilizando 450 apresentações e um público estimado em 300 mil espectadores. Um sucesso atribuído em parte pela grandiosidade das obras de Renato Russo, que se consagrou por produzir canções de apelo crítico e refletor dos problemas da sociedade brasileira e também graças à atuação de Bruce, que colabora para avivar ainda mais o mito da música brasileira, cujas canções se eternizaram entre seus fãs.

Confira aqui entrevista com o ator Bruce Gomlevsky

Serviço:

Renato Russo – O Musical

Onde: Teatro Frei Caneca: Shopping Frei Caneca: Rua Frei Caneca, 569, 7º andar, Consolação – Tel: (11) 3472-2229 / 3472-2230

Quando: sextas e sábados às 21h e domingos às 20h

Quanto: R$ 100,00 (inteira) às sextas e domingos e R$ 120,00 (sábados)

Até 29 de outubro de 2017

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