As redes sociais parecem ser, ao mesmo tempo, a bênção e a maldição do nosso século. Por meio delas, temos acesso a uma quantidade tão grande de informação a cada minuto que seria necessário, pelo menos, umas cinco vidas – para quem acredita em reencarnação – para consumir tudo que é gerado e publicado em um único dia. Para quem não acredita… Bem, neste caso morreremos sem saber de quase nada.

Enquanto bênção, podemos nos conectar, conhecer e interagir sem sair do sofá da sala de casa ou da mesa da cafeteria e isso é muito bom. Promove a boa evolução, conexões, aumenta o nosso conhecimento e democratiza o acesso àquilo que talvez morreríamos sem saber. Além disso, potencializa aquilo que o ser humano tem de melhor e que o torna diferente dos demais animais: a sociabilidade.

Porém, essa mesma sociabilidade está por trás da maldição embutida nas redes sociais. Em uma espécie de “sociabilidade negativa”, considerando que nos socializamos com o intuito de promover o embate, buscamos cada vez mais a desavença, a competição doentia, a superação humilhadora.

Deixamos de ser sociáveis para sermos soldados de uma guerra travada em um campo virtual e da qual sai vencedor quem tem mais likes e não a melhor ideia.

Deixamos de pensar em grupo para atacar em grupo, humilhar o contraditório, destruir o opositor a qualquer custo. Não esperamos o próximo trabalho do nosso cantor ou cantora favorito ou favorita por simples admiração, mas sim para que ele seja melhor que outro artista similar.

Não conversamos nem buscamos um consenso, uma terceira ou quarta via ideológica que atenda a maioria das reivindicações, mas parecemos fazer questão de promover o Fla-Flu político, o Coxinha x Mortadela, o Azul x Vermelho.

Acostumados ao dualismo histórico que existe desde sempre e que, no passado, deu origem ao “Brasil: ame-o ou deixe-o”, não conseguimos perceber o quanto o movimento atual faz mal para a nossa sociedade. Parecemos esquecer a principal característica, que garantiu o sucesso da nossa espécie, para promover um movimento separatista e segregador.

E, no fim das contas, todos nós iremos pagar o pato.

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