Sou do tipo que precisa ficar só para criar algo mais reflexivo.

Para parte dos psicanalistas, os sonhos são a forma que o inconsciente tem de organizar as informações, associá-las com o conhecimento já existente e decidir aquilo que deverá ser armazenado e o que deverá ser esquecido.

Eu gosto de acreditar que a escrita tem a mesma função, excetuando o fato de que ela é feita de forma consciente (na maioria dos casos, pelo menos). Quando escrevo, faço o exercício de organizar e encadear pensamentos. Tento dar alguma coerência à montanha de informações que me chegam diariamente. Mas – e sempre tem um “mas” -, eu careço de privacidade para escrever.

Quero que leiam o que escrevo, mas gosto de estar só na hora da escrita. Assim eu tenho mais liberdades para organizar as ideias, sem a distração que outra pessoa no recinto poderia me causar. É claro que, na lida diária de uma redação isso é quase impossível. Mas o texto jornalístico é outra coisa. Você já apurou, já entrevistou, já anotou, já gravou, já desenvolveu a estrutura textual no caminho de volta para o jornal. E todos ali estão fazendo o mesmo que você.

No entanto, tente escrever algo mais poético, mais ficcional, mais reflexivo. Eu certamente preciso de um mínimo de privacidade. Talvez existam pessoas diferentes, pessoas que não se incomodem de criar enquanto conversam com outras pessoas. Talvez você seja assim. E é exatamente essa diferença entre os processos criativos que torna a cultura humana tão rica.

O que fazer quando a casa está cheia? Quando o espaço é pequeno? Quando estão sempre ao seu lado olhando por cima do seu ombro? Se você, assim como eu, precisa de privacidade para escrever, tente sair. Procure um parque, uma biblioteca, um local tranquilo.

Mas se você é do tipo que não se importa com essas coisas, parabéns. Aproveite a habilidade e escreva todos os dias. Seu processo de aperfeiçoamento será bem mais rápido.

 

José Fagner Alves Santos

 

 

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