Ninguém é completamente original, mas não é por isso que podemos copiar descaradamente as obras alheias

Recentemente concluí a revisão do livro Tudo que precisa fazer é sonhar, escrito pelo meu amigo Eddie Silva, uma história de amizade que sobrevive ao passar do tempo. Tentamos fazer uma edição bonita, com boa diagramação, uma capa bacana, preço acessível. A decisão sobre onde publicar sempre foi muito clara. Hoje nós temos uma série de editoras que fazem impressão sob demanda. Existe também o serviço da Amazon, que te permite publicar em versão digital e impressa, disponível para não sei quantos países.

Então, pensamos: “bem que poderíamos oferecer um serviço de ajuda para pessoas que estivessem em busca de editar seus livros auto publicados”. Claro, por que não?

Bem, descobrimos o porquê. Recebi alguns livros de conhecidos pedindo que eu os avaliasse. A maioria absoluta era cópia de obras já publicadas. O pretendente a autor pegava a trama de um livro como “A culpa é das estrelas”, mudava o nome dos personagens e tentava situá-la em alguma cidade brasileira.

Eu sei que você deve estar pensando que isso é um exagero meu, talvez um recurso retórico, mas não é. Isso realmente aconteceu e não foi um caso isolado. Havia cópias de livros do Dan Brown, Stephen King e tantos outros.
Tentei ser sincero com esses “autores”, mas evitando, ou ao menos tentando, a indelicadeza. Muitos deles entenderam e admitiram a “influência”. Alguns outros ficaram ofendidos e deixaram de falar comigo. Fiquei imaginando que, se o indivíduo não compreende a diferença que existe entre ser influenciado e copiar descaradamente a obra alheia, ele nem deveria tentar redigir uma obra, seja ela qual for.

Nunca foi tão fácil publicar um livro. Nunca foi tão fácil se fazer conhecer, mas seria melhor buscar os meios corretos de trilhar esse caminho. Acho que você não quer ser reconhecido como a pessoa que copiou fulano ou beltrano. Será sempre mais interessante recorrer à obra original do que perder tempo com uma cópia mal escrita e macaqueada.

Sabe aquela história que só você poderia contar? Aquela que ninguém mais poderia escrever igual a você a não ser que te copiasse? É essa história que me interessa. Escreva, sem a preocupação de ser aceito por alguma editora. Use um blog, uma rede social, o Wattpad. O importante é escrever. E tenha sempre em mente o tipo de escritor que você gostaria de ser.

José Fagner Alves Santos

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