Uma facção presente em diversos setores. Um homem forte e ambicioso presidindo uma grande organização e articulando por caminhos escusos para obter vantagens financeiras e fazendo de tudo para manter seu posto: parece parte do roteiro da novela “A Regra do Jogo”, mas na verdade é o resumo da vida política nacional revelada pelas delações da Odebrecht, apelidada de “Delação do Fim do Mundo”.

A semelhança com a obra continua e a analogia com o tabuleiro de xadrez apresentada na abertura da novela nos mostra o quanto estamos cercados de peças que, a princípio, pareciam do bem e na verdade são alimentadas por verdades secretas, em analogia proposital a outra obra de ficção que foi ao ar recentemente.

Mas, talvez a característica que mais aproxima a nossa realidade da ficção é a letra da trilha de abertura de “A Regra do Jogo”:

Uma Alcione com voz forte, como sempre, canta “Juízo Final”, de Nelson Cavaquinho, e parece alertar: “é o juízo final, a história do bem e do mal, quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer”. Aliás, vale ressaltar que o título da faixa está diretamente ligado ao apelido da delação da Odebrecht, fazendo a coincidência não parecer simples semelhança.

Na verdade, todos esperamos ter olhos para ver o fim da maldade e a honestidade (ou o sol) brilhar mais uma vez. Estamos cansados de não termos saúde pública digna, de vermos as crianças, o futuro do Brasil, cada vez mais sem amanhã por causa da falência do sistema educacional.

Estamos fartos de vermos estados e municípios em crise, impedindo o país de alcançar o patamar de desenvolvimento econômico que tem potencial de conquistar e o desenvolvimento social que há anos se mostra necessário apenas por causa de corrupção, retrocessos e interesses egoístas.

Também não podemos mais aceitar a zumbificação polarizada que parece ter tomado conta de todos os lados do debate, impedindo um olhar para necessidade de falarmos um só idioma e de pesarmos tudo com a mesma medida. E, acima de tudo, precisamos que a luz chegue verdadeiramente aos corações e a semente do mal seja queimada, como diz a faixa de Nelson Cavaquinho.

Afinal, somente quando termos ideia de que a máquina pública deve beneficiar a todos é que veremos a maldade desaparecer.

Resta saber: teremos olhos até lá?

Até o próximo post!

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