Estou me despindo de (pré)conceitos. Questionando e compreendendo minha crendice comportamental refletida no Design. Percebi que odiar e xingar o Internet Explorer é pura idiossincrasia. Não estávamos mais questionando o navegador oldschool pela deficiência funcional mas por ser divertido. Por que estamos fazendo isso?

É claro que você me daria milhões de motivos (plausíveis) para embasar o argumento mas, a (dis)funcionalidade de algo não justifica nossa postura profissional.

Deveríamos estar preocupados com a comodidade do usuário. Compreender que seus hábitos são espelhos do nosso cuidado, carinho e respeito no desenvolvimento.

Sabemos que projetar para IE é trabalho fastidioso. Mas pense bem:

Se quero navegar pela rota X ao invés de Y e todas servem para chegar ao mesmo objetivo, porquê preciso voltar ao estado inicial? Possuindo ou não o usuário, conhecimento técnico, o projeto precisa ser funcional para todos.

A grande verdade é que nenhum navegador é perfeito. Visite o “Task Manager” do Windows e perceberá que em “Details”, para navegar com por exemplo, oito abas abertas, o Chrome possui em torno de quatorze requisições .exe rodando simultaneamente.

A razão conhecida para múltiplos processos (instâncias) chrome.exe listados é que cada guia é tratada como um processo individual, por razões de segurança. Na prática, isso pode ser inconveniente. Por muitas vezes desisti do navegador por levar muito tempo para abrir. É possível resolver os problemas do Chrome. Mas ao invés disso, posso mudar de navegador. E como sempre, nessas horas, o Firefox era anjo salvador.

Chrome o comedor de RAM...

Sinto uma leveza e rapidez no Firefox superiores ao Chrome. Mas isso não quer dizer que não trave ou fique lento por algumas vezes. Poderia dizer também que que o “Developer Tools” do Chrome é superior ao do Firefox. É claro que o “Firefox Developer Edition” é superior ao F.F. comum mas estamos falando de usuários domésticos, com rotinas que não se enquadram à de uma equipe de desenvolvedores.

Para quem trabalha com E-learning — já falei sobre isso em outro artigo — existem algumas diferenças no Front End. Animações, acessibilidade, contagem de avançar, retroceder e cliques fazem muito mais sentido aqui. Na prática, o E-learning está mais para IE que para Chrome.

Testar os cursos “offline” no Chrome (sem SCORM Cloud no nosso caso) nem sempre funciona pois a própria proteção do navegador impede que os cursos funcionem com cem por cento de aproveitamento. Juro que ainda não compreendi o que faz o Chrome se comportar de tal maneira. Mea culpa. Mas fica o registro do caso por ser interessante.

O problema é de todos nós. Se eu for no “Developer Tools” do IE e mudar o “Document Mode” para IE8, o tema que estou utilizando aqui no Red Potion quebra de forma assustadora.

É assim que testamos cursos. Trocando versões até que possamos enquadrar a estrutura das páginas para IE + SCORM de forma limpa, sem erros, para que todos fiquem felizes.

Não acha um pouco presunçoso dizer a uma pessoa que ela não deve usar qualquer coisa porque não sou capaz de projetar? É como dizem por aí:

“Para tudo na vida tem jeito, menos para morte”.

Essa é uma verdade inquestionável para quem trabalha com Web. Sempre encontramos um jeitinho de fazer algo funcionar. Ignorar o Internet Explorer se tornou uma birra infundada.

Não são os navegadores que criam melhores práticas de desenvolvimento. Somos nós, que quebramos cabeça para aumentar o número de usuários felizes. Deve ser por isso que tomamos bastante café.

Créditos
Imagens: HTTP construído usando caracteres tipográficos velhos. Fotografia de Hugo Humberto Plácido da Silva. Notebook em cima da cama. Fotografia de Jay Wennington.
  • Concordo que devemos pensar no usuário final quando desenvolvemos projetos e devemos respeitar sua escolha; a preferência dele é assunto dele, não nosso.

    Triste é pensar que então, temos que trabalhar com a falta de respeito do IE para oferecer respeito ao usuário.

    Pra mim, IE é igual a Vivo: Até tem outros concorrentes, mas dane-se! Continuo a oferecer serviço ¼ de boca …

    • Assim como tudo na vida, nem sempre fazemos tudo que gostamos. Eu concordo com sua colocação em relação à desenvolvimento. Mas, a intenção do artigo, é pensar um pouco pela perspectiva do usuário que não tem nada a ver com a nossa “briga interna” com o IE.

      Mas nós estamos diretamente engessados com sua escolha.

      Em determinadas coisas, como E-Learning, por exemplo, não posso brigar para que o usuário escolha outro navegador. Dependendo do país, ele ainda é o mais utilizado. Também é quase uma questão cultural (mas essa é outra história).

      Infelizmente, meu amigo, essa não é uma luta que vai ter fim por agora. Acredito que o desuso ao Internet Explorer vai acontecer mas esse tempo ainda será longo.

      Fiz o possível para escrever esse artigo com delicadeza porque não é algo fácil de se abordar. Quando pensamos pelo outro lado da moeda essas coisas se tornam mais densas.

      O IE ainda vai ser um belo chiclete no nosso sapato, inevitavelmente. Por mais que queira o fim desse relacionamento abusivo, sou obrigada a conviver com ele. O usuário não está interessado em saber se gosto ou não. Ele quer tudo funcionando. Problema nosso. E isso é um fato. 😀