Foto Alexandre Tremanti 

Nem tudo é o que parece ser. A expressão popular pode ser muito bem aplicada ao texto de Reginald Rose (1920-2002) – roteirista norte-americano de 12 Homens e Uma Sentença – criada originalmente como uma peça feita para a TV e apresentada ao vivo, em 1954, por uma rede de televisão aberta dos Estados Unidos, chamada CBS. Em 1957, a trama ganhou adaptação para o cinema, resultando em um dos melhores filmes de tribunal da história. Com direção de Sidney Lumet, a produção concorreu ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado.

O sucesso das telas foi para os palcos teatrais, com a adaptação da história de Rose para teatros de diferentes países. No Brasil, a montagem está há sete anos em cartaz, e já passou por vários teatros, com o início e o término de diversas temporadas. O espetáculo acaba de estrear novamente no dia 1º de novembro, no Teatro Porto Seguro, onde permanecerá em cartaz até 7 de dezembro de 2017. A obra ganhou tradução de Ivo Barroso para o português e encenação do diretor Eduardo Tolentino de Araújo. O espetáculo já atraiu mais de 500 mil espectadores no Brasil e recebeu o prêmio de melhor peça pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2010, e teve duas indicações ao Prêmio Shell.

Na peça, encenada pelo tradicional Grupo Tapa, doze atores – Norival Rizzo, Sérgio Mastropasqua, Adriano Bedin, Alberto Guiraldelli, Almir Martins, Augusto César, Brian Penido Ross, Bruno Barchesi, Daniel Volpi, Fernando Medeiros, Ivo Müller, Leandro Mazzini e Rafael Golombek – dividem o palco interpretando um grupo de jurados, responsáveis por dar o veredito do julgamento do réu: um rapaz de 18 anos, acusado de ter assassinado o pai com uma faca.  A cena se passa numa sala fechada. Depois de dias de julgamento, o grupo dará a sentença final, que poderá resultar na pena de morte do réu, apenas se todos os jurados o considerarem culpado. Todavia, enquanto onze condenam o garoto, um o declara como inocente, o que fomenta a discussão e cerne da peça.

A princípio, as provas parecem favorecer a culpabilidade do suposto assassino. Mas nenhuma delas é suficiente para convencer um dos jurados, que duvida da culpa do garoto e, à medida que expõe seus argumentos, começa a criar dúvidas também nos outros presentes na sala. Discussões acaloradas entre os personagens marcam determinados momentos da peça, já que alguns jurados mostram forte relutância em ao menos avaliar a possibilidade da inocência do réu, pois já o julgaram culpado.

Gradativamente, cria-se uma maior empatia no público, especialmente pelo jurado questionador, que faz um verdadeiro trabalho de detetive e transforma os espectadores em investigadores, aguçando a curiosidade e o desejo de desvendar o mistério do assassinato.  Destaque para o ator Norival Rizzo, que interpreta tal jurado e responsabiliza-se pela empatia gerada, graças a sua envolvente atuação. O andar do ator em cena e a forma como observa os demais são expressões de um bom trabalho de corpo, em que seu personagem não comunica sua inquietação sobre a possibilidade da condenação do réu apenas pelo diálogo, mas também pela linguagem corporal.

Foto Alexandre Tremanti 

Enquanto ele fala, não são apenas os jurados, mas também os espectadores que, aos poucos, são convidados a refletir melhor sobre o caso do réu, numa espécie de convite à compreensão do todo e não somente das partes, e também dos diferentes contextos existentes, antes de qualquer julgamento de culpado ou inocente. O espetáculo é uma ótima reflexão sobre como, muitas vezes, o ser humano age impulsivamente, sem ao menos entender o contexto de determinada situação, pois tende a enxergar toda e qualquer realidade apenas do seu ponto de vista e/ou interesse, ignorando todas as demais.

Serviço:

Peça 12 Homens e Uma Sentença

Onde: Teatro Porto Seguro: Al. Barão de Piracicaba, 740, Campos Elíseos, São Paulo – SP. Telefone: (11) 3226-7300. Bilheteria: de terça a sábado, das 13h às 21h e domingo, das 12h às 19h.

Quando: quartas e quintas às 21h

Quanto: R$ 60,00 plateia / R$ 40,00 balcão e frisas. Vendas na bilheteria ou pelo site www.ingressorapido.com.br

Serviço de Vans: TRANSPORTE GRATUITO ESTAÇÃO LUZ – TEATRO PORTO SEGURO – ESTAÇÃO LUZ. O Teatro Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até as dependências do Teatro. COMO PEGAR: Na Estação Luz, na saída Rua José Paulino/Praça da Luz/Pinacoteca, vans personalizadas passam em frente ao local indicado para pegar os espectadores. Para mais informações, contate a equipe do Teatro Porto Seguro.

Até 7 de dezembro de 2017

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