O evento terá início no dia 7 de setembro, no Teatro Ribalta, em São Paulo, e contará com sarau, coquetel, trechos de peças e leitura encenada de uma de suas obras.  A abertura contará com a presença de Rodrigo Habermann e texto interpretado pelos atores Ju Carrega e Sergio Seixas no Hall do teatro.

Um mestre de cerimônia conduzirá a programação da noite que tem como grande destaque a apresentação de peças curtas do dramaturgo. Também integra a lista de atividades a realização de um sarau.

Cristiano Dantas dirige a leitura encenada que fechará o evento. Bruno Akimoto e Viviane Liotto abrem o sarau.

A idealização do evento é de Hermes Altemani, Kiury, Rodrigo Ferraz e Renato Alves. Os textos encenados serão dirigidos por Kiury, Ferraz e Alves e os atores serão escolhidos a partir de testes e convites.

Vale frisar que Kiury e Rodrigo Ferraz foram os produtores do espetáculo Nosso Luto (direção de Ferraz, autoria e assistência de direção de Kiury), que ocupou as sextas–feiras de junho do Teatro Ribalta, com ótima receptividade. Com relação ao sarau, o palco será livre para apresentações.

Os artistas que quiserem participar poderão ler textos de livre escolha e a ideia é unir a obra de Nery com a de outros autores para que o palco do Ribalta seja um espaço de valorização da arte. Um lugar para que as obras de artistas consagrados sejam homenageadas e para que os não conhecidos tenham as suas criações divulgadas.

 

SOBRE NERY GOMIDE

Filho de escritora e poetisa, começou a chamar a atenção no teatro junto com autores como Timochenko Whebi, José Vicente, Antonio Bivar, Leilah Assunção, Consuelo de Castro.

O dramaturgo escreveu inúmeras peças, entre elas: RUA 10; Assunta do 21; O Espelho Partido; Halloween, o dia das bruxas; O Leão e o Esquilo e História de Todas as Coisas e Despedida de Solteiro

Assunta 21 é a sua peça mais conhecida; com ela, ganhou o prêmio APCA autor revelação. A atriz Ruthinea de Moraes atuou na segunda montagem.

Segundo o diretor Kiury,  ¨Nery era visionário e tinha um lado bem rebelde. A peça Rua 10, que é uma das mais famosas dele, é uma das primeiras a falar mais abertamente sobre homossexualidade. Fora isso, ele foi um dos primeiros diretores a dar espaço para travestis e atores transformistas¨, conta.

Rodrigo Ferraz destaca que Nery Gomide é um dramaturgo que merece uma luz, um foco da cena… ¨Transgressor por natureza, ele montou desde espetáculos infantis até espetáculos com personagens da cena LGBT. Abordou o tema do cárcere antes do consagrado Estação Carandiru. Além disso, muito de seus personagens eram idosos, sem ser uma dramaturgia feita especialmente para a terceira idade. Trabalhou com nomes consagrados para a época e consagrados hoje em dia. Nosso evento quer dar visibilidade a sua obra, pois além de muito ousada tem muita qualidade!¨, opina o diretor.

O diretor Renato Alves, por sua vez, salienta que Nery Gomidetem mais de 160 obras e espetáculos teatrais escritos, alguns não publicados e nem registrados – outros ainda escritos a mão e máquina de escrever..!

¨O verdadeiro escopo do projeto é ativar o nome dele e registrar as obras e assim despertar o interesse na classe artística e cultural e montar as suas obras teatrais e até mesmo ler suas obras e textos”, ressalta Alves.

O artista foi Presidente do Movimento Zero Hora de Teatro, poesia e contos – movimento de autores teatrais que teve como resultado a fundação do Teatro Zero Hora, em 1984.

Espaço famoso na década de 80, o Teatro Zero Hora lançou diversos artistas e teve entre seus clientes e frequentadores figuras importantes da cena teatral, entre eles, Plínio Marcos,Fauzi Arap, Walderez de Barros, Read Guirar, Marcos Caruso, Odilon Wagner, Sebastião Apolonio, Antonio Petrin, Mario Bortolotto, Ligia de Paula, Cia Os Satyros e Ruthinea de Moraes.

Em 2002, após uma reforma, o teatro mudou de nome para Ribalta e hoje é administrado por Hermes Altemani, idealizador do evento e o atual proprietário do Teatro Ribalta desde 2002.

HERMES ALTEMANI

Foi parceiro de Gomide no Movimento Zero Hora de Teatro e com ele escreveu livros que resgatam a história do Movimento, além de peças teatrais, entre elas, textos voltados para o público infantil, como Apolo e as super-gatinhas.

Segundo Altemani, que hoje administra o teatro Ribalta, o Zero Hora reuniu autores teatrais que queriam mostrar o seu trabalho e não tinham condições financeiras para alugar um teatro.  Esses artistas se juntaram e procuraram teatros para alugar na forma de cooperativa.

¨Aconteceram três movimentos, mas as expectativas e necessidades dos membros se mostraram diferentes e o movimento acabou¨, conta. A partir desse momento, Hermes e Nery começaram a escrever textos  e publicaram 25 livros ligados ao movimento.

Conta que o desejo de Nery era ser reconhecido. ¨Ele tinha ambição de valorizado como autor e ele conseguiu um certo prestígio, mas não atingiu o sucesso estrondoso. Ele morreu antes e deixou 150 obras inéditas escritas¨, conta. ¨O meu objetivo é resgatar e montar isso tudo”, complementa.

Dos 150 livros, cerca de 70 falam sobre a terceira idade, numa série denominada  Diálogos ao Entardecer. ¨Os textos falam sobre situações cotidianas,são de gêneros teatrais diferenciados e quando ele escreveu, ele pensou na sua velhice e em como garantir a sobrevivência¨, diz.

Altemani tem o sonho de montar essas obras e aos poucos mostrar para o público todas as peças do autor para a viabilização de futuras montagens, já que os originais estão guardados num baú.

O mais interessante das criações de Nery é que elas foram escritas em máquinas de escrever e retratam uma época totalmente diferente dos dias de hoje. ¨Tem peças dele, por exemplo, que usam palavras que não se falam mais e estão ambientadas numa época em que não havia energia elétrica¨, destaca Altemani.

O Zero Hora Celebra Nery Gomide é a realização de um desejo antigo de Altemani. Ele já tentou fazer várias vezes eventos em homenagem ao Nery, com leituras dramáticas para as pessoas da classe conhecerem a obra do dramaturgo, mas não deu certo.

O evento é um piloto para avaliar a receptividade do público. Se tudo der certo, a grade de programação será estendida para os meses de setembro e outubro, com mais duas encenações das peças curtas de Nery ou até mesmo de textos na íntegra.  Além disso, está sendo programada uma apresentação a cada último domingo de setembro, outubro e novembro.

 

 

Ficha Técnica dos cinco espetáculos.

 

“(A)PERTO”:

Sinopse: Fragmentos de textos no projeto O Zero Hora Celebra Nery Gomide.

Texto: Nery Gomide

Direção: Kiury

Elenco: Carola Valente, Kiury, Magali Moreira, Vanessa Garcia e Wood Moura.

 

“TESTEMUNHA POR ACASO”

Sinopse: Fragmentos de textos no projeto O Zero Hora Celebra Nery Gomide.

Texto: Nery Gomide

Direção: Rodrigo Ferraz

Elenco: Milton Aguiar e Rodrigo Banks

 

“A GALINHA QUE CHOCAVA PEDRAS”

Sinopse: Fragmentos de textos no projeto O Zero Hora Celebra Nery Gomide.

Texto: Nery Gomide e Hermes Altemani

Direção: Renato Alves

Elenco: Di Buono, Sayonnara Leandro e Simone Candido.

 

“UM UNICÓRNIO NA SALA”

Sinopse: Leitura encenada no projeto O Zero Hora Celebra Nery Gomide.

Texto: Nery Gomide

Direção: Cristiano Dantas

Elenco: Cristiano Dantas e Daniela Bontempi

 

“CELEBRAÇÃO”

Sinopse: Fragmentos de textos na abertura cênica e sarau cênico do projeto O Zero Hora Celebra Nery Gomide.

Texto: Nery Gomide

Direção: Kiury, Renato Alves e Rodrigo Ferraz

Elenco: Rodrigo Habermann, Bruno Akimoto, Ju Carrega, Sergio Seixas e Viviane Liotto.

 

 

Serviço:

O Zero Hora Celebra Nery Gomide

Data: 07/09. Horário: a partir das 18h00. Local: Teatro Ribalta. Rua Conselheiro Ramalho, 673. Bela Vista/SP. * Travessa da Av. Brigadeiro Luís Antônio – Próximo do Metrô São Joaquim. Pague quanto puder.

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