Publicado em 25 de outubro de 2015

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Há tempos não se falava tanto em crise econômica no Brasil quanto no momento atual. A inflação aumenta cada vez mais, abocanhando os bolsos dos cidadãos e derrubando positivismos econômicos. A variação cambial é outro fator que vem surtindo efeito drástico semelhante ao da inflação.

No dia 22 de setembro de 2015, o dólar ultrapassou a quantia de R$ 4, batendo assim um recorde histórico. Para agravar ainda mais a situação, a agência de classificação de risco Standard and Poor’s (S&P) rebaixou a nota de crédito brasileira, o que na prática significa que, para a S&P, a economia brasileira não é mais considerada confiável para os investimentos estrangeiros.

Esse fator, aliado ao aumento do dólar, pode resultar na combinação perfeita para a debandada de investimentos internacionais: má notícia para as empresas instaladas aqui, especialmente para as importadoras, como as indústrias que importam peças e matéria-prima, as quais estão arcando com custos muito maiores devido a supervalorização da moeda americana.

 Péssima notícia também para muitos dos empregados destas organizações que, devido à redução de seus lucros, passaram a demitir mais funcionários – de acordo com Pesquisa Mensal do Emprego (PME) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil ficou em 7,6% em agosto deste ano. Esta é a maior taxa desde 2009, comparando-se apenas com os meses de agosto.

Enfim, a elevação do dólar revelou-se ruim para os cidadãos brasileiros de modo geral, pois eles tiveram seu poder de compra reduzido. E aqui não falo somente dos que atravessam fronteiras em busca de itens estrangeiros, mas dos compradores nacionais, afinal estes viram os preços subir nas prateleiras como resultado de um maior custo industrial, já que a matriz de custos da indústria brasileira é toda dolarizada, o que eleva a inflação com a alta da moeda e gera reflexos também para o consumidor final.

Mas nem tudo são espinhos em meio a toda esta cadeia produtiva afetada pela desvalorização do real. Existe um setor que nada contra essa corrente: são as empresas exportadoras e as que compram e vendem no Brasil. As primeiras se beneficiam da maior competitividade que seus produtos adquirem no mercado externo, aumentando assim a margem de lucro. Já as segundas também passam por situação semelhante por não dispenderem grandes gastos com a importação de produtos.

A situação poderia ser ainda melhor para estas empresas se elas recebessem maiores incentivos do governo e elevassem assim a sua produtividade, algo que tem decaído cada vez mais no Brasil.

Mas o setor público insiste em ampliar mais impostos como medida de combate à crise sem, primeiramente, reduzir os próprios benefícios e de seus colaboradores, sem contar numa reforma econômica que há tempos se faz necessária. Soluções que não acontecem devido também aos desentendimentos entre membros do Congresso e governo, e os interesses pessoais de muitos deles, que acabam sendo o grande veneno de expansão da crise – muito mais que a alta do dólar.