Um filme que prometia vir com tudo, mas acabou chegando aos telões com cenas previsíveis e sem muita surpresa, O Turista já agradou e ainda vai agradar muitos que ainda não conferiram a produção, mas sem deixar no ar aquele toque de “quero mais” ao final da trama por abrir mão da exploração de recursos cinematográficos que surpreendam o público, o que é indispensável nas gravações de um filme.

 

Do mesmo diretor de A Vida dos Outros, Florian Henckel von Donnersmarck, O Turista conta a história da misteriosa Elise (Angelina Jolie), mulher inglesa que, após ser perseguida por mafiosos russos e agentes secretos, toma um trem para Veneza e como parte de um plano faz amizade com um desconhecido, para que este seja confundido com Alexander Pearce , um mafioso homem com quem ela viveu e passou por várias operações plásticas para não ser reconhecido.

 

Como todos que estão à procura do perigoso homem, não sabem mais como é o seu rosto, passam a desconfiar de Frank (Johnny Depp), um tímido professor de matemática que Elise conhece no trem e dá a entender que é realmente o seu marido. A partir daí confusões começam a acontecer até Frank entender o que está acontecendo e tentar se livrar daqueles que querem matá-lo.

 

Diferente de outras produções, principalmente daquelas dirigidas por Tim Burton, Depp apenas interpreta um personagem dotado de traços comuns, mas que poderiam ser mais explorados principalmente em se tratando de um excelente ator como ele, que trabalha tão bem a interpretação facial, sendo que tal exploração contribuiria muito para dar certa inovação em O Turista.

 

Já Angelina Jolie parece querer tomar a cena para si e colocar todo o filme em função apenas de sua personagem, o que em alguns momentos até se torna concreto, mas muitas vezes as cenas acabam sendo complementadas por Depp. O ator, apesar de não ter trabalhado toda a sua capacidade artística, consegue se destacar dentro da trama dividindo a atenção do filme entre ele e Jolie, apesar de ter feito Frank apenas como um professor simples e normal e, justamente por isso, não ter explorado outros recursos.

 

Trata-se de um filme que com certeza não vai deixar de agradar a plateia, mas também vai causar a sensação de que algo foi esquecido por Donnesmarck para que O Turista pudesse ser visto como um grande filme de ação.