Trinta e dois bilhões de dólares! Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) essa é a incrível quantia movimentada por ano em todo o mundo como resultado de uma triste realidade que, em pleno século XXI, ainda acomete cerca de 2,5 milhões de vítimas pelo planeta, também segundo a ONU: o tráfico de seres humanos. Com intuito de enfatizar ainda mais esse assunto, a Igreja o elegeu como tema da Campanha da Fraternidade 2014: “Fraternidade e Tráfico Humano”, com o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”.

O tráfico humano envolve serviços como mão de obra escrava, exploração sexual e extração de órgãos para doação, sendo que, neste caso, a maioria das vítimas são crianças. De acordo com a ONU, do total da quantia gerada pelo tráfico humano, 85% vem da exploração sexual, cujas vítimas são, em sua maioria, mulheres. Muitas ainda meninas e adolescentes, que entram desde cedo para esta dura realidade e não conseguem sair nunca mais. São mulheres inocentes e pouco instruídas que acabam sendo influenciadas por aliciadores, sob a falsa promessa de se tornarem modelos internacionais e assim elas são levadas para outros países, onde são aprisionadas e forçadas a se prostituírem, ou são mortas.

Já a mão de obra escrava envolve uma série de razões para a sua manutenção ainda nos dias de hoje. Temos visto nos noticiários o número de empresas renomadas e detentoras de grande capital que submetem funcionários a excessivas horas de trabalho sob condições subumanas, visando lucros cada vez maiores. Porém, não são apenas estas organizações as responsáveis por este cenário, alguns veículos da mídia também possuem sua parcela de culpa ao não fomentar a divulgação desta exploração, geralmente por serem patrocinados por estas empresas exploradoras. Até nós acabamos nos responsabilizando quando adquirimos mercadorias destas companhias, sem ao menos refletir o que pode estar por trás da fabricação de determinado produto.

Sendo assim, denunciar os casos de tráfico humano, instruir as pessoas e mostrar a elas seu valor são cruciais para que elas não caiam na armadilha da exploração humana, pois, caso contrário, até 2018 teremos um comércio de seres humanos que superará o contrabando de armas e drogas, segundo a Divisão Contra as Drogas e o Crime da Organização das Nações Unidas (Unodc). 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas
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