Um festival de cores, luzes e coreografias tem invadido os telões dos cinemas e encantado públicos diversos, que são levados para um verdadeiro espetáculo circense diferente de muitos já vistos por aí. Essa animação cinematográfica é o destaque do longa O Rei do Show, que estreou nos cinemas brasileiros em dezembro de 2017.

Baseada em fatos reais, a história faz referência a Phineas Taylor Barnum (1810 – 1891), famoso showman norte-americano que se destacou no ramo do entretenimento por meio do sensacionalismo, autopromoção e marketing; e polemizou com a criação de um circo, onde promovia shows com aberrações humanas, expondo-as humilhantemente.

Mas esqueça um pouco o showman verdadeiro e se encante com o personagem interpretado pelo talentoso Hugh Jackman em O Rei do Show, que, quase não tem similaridade com o real. Em tom leve e envolvente, o filme começa no período da infância pobre de Barnum, sonhando em se tornar um grande astro do entretenimento. Logo os anos passam e somos levados para a fase adulta do protagonista, quando ele resolve criar um museu de curiosidades. Diante do insucesso da ideia e, após um ter insight com a ajuda da filha, que credita o fracasso do museu à exposição de coisas inanimadas apenas, o “Rei do Show” resolve montar um circo de aberrações humanas e, para isso, abre inscrições para seleção e montagem do seu show.

Anão, mulher barbada, homem albino, gigante são alguns dos seres diferenciados que integram a trupe de Barnum. Mas alguns percalços o esperam pela frente, já que, apesar do sucesso do circo, um forte grupo de cidadãos conservadores se revolta com a exibição de seres “monstruosos” e “aterradores”, nas palavras deles, exigindo que voltem para seus “esconderijos”. O próprio Barnum deixa o sucesso subir à cabeça, na ânsia por conquistar cada vez mais público, e, em certos momentos, menospreza sua trupe.

Mas, ao longo da trama, algumas dificuldades o farão ver o que realmente tem verdadeiro valor, configurando-se como uma reflexão sobre a importância de aceitar e respeitar as diferenças, sendo iguais na diversidade. Apesar de ser ambientado em 1840, o repertório musical revela-se bem contemporâneo. Mas nada que interfira na coerência do longa, pelo contrário, com letras ricas e um ritmo envolvente, é difícil, muitas vezes, até permanecer imóvel na cadeira do cinema, embalados pelo som. Uma das cenas memoráveis da produção é quando a trupe circense entoa a canção This is Me, com destaque para a voz de Keala Settle, no papel da mulher barbada, quem arrasa tanto no canto quanto na voz. Um momento em que a trupe mostra sua força para enfrentar preconceitos e ofensas alheias.

Outro destaque é a atriz Rebecca Ferguson, que chega a arrepiar com sua potência vocal, no papel de uma cantora contratada por Barnum para alavancar o sucesso do circo. Já Hugh Jackman dispensa comentários, com sua versatilidade brilhante para atuar, cantar e dançar. O filme também conta com a participação do ator Zac Efron, interpretando um ator famoso que se torna sócio de Barnum em seu show.

Com imagens, coreografias e movimentos de câmera que parecem remeter o público para o ambiente circense da trama, o longa dirigido por Michael Gracey agrada em diversos aspectos e merece nota dez no quesito fotografia, pela capacidade de revelar a trama através das imagens cinematográficas.