Deixar a verdade para trás, como se ela tivesse sido superada. Agora só acreditamos naquilo que decidimos acreditar

Os políticos sempre mentiram, os jornais sempre foram tendenciosos sobre determinados assuntos. Termos como ‘imprensa marrom’ ou ‘mídia sensacionalista’ existem há muito tempo. Chamávamos isso de desinformação, mentira. Isso mudou.

Durante a campanha do Brexit e das eleições que colocaram Donald Trump como líder da maior potência mundial os jornais fizeram uso do adjetivo pós-verdade (Post-truth – veja que tem certa semelhança com Post-Trump). O termo indica, não apenas a mentira, mas, uma tendência que aponta para o fim da verdade, como se ela não importasse mais. O que importa agora são as crenças tendenciosas, aquilo que determinados grupos escolhem acreditar.

É bom lembrar que a palavra do ano de 2015 foi emoji.

O termo “Pós-verdade” foi tão utilizada que o dicionário Oxford o elegeu como a principal palavra de 2016. Toda essa história nos remete a uma frase atribuída ao líder da propaganda nazista, Joseph Goebbels: “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade”.

De acordo com a Oxford Dictionaries, o termo “pós-verdade”, com o significado que temos hoje, foi cunhado em 1992 pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich. Apesar de ter sido usado com certa constância desde então seu uso aumentou em 2.000 % no ano de 2016. Está aí o motivo de tanto alvoroço.

Mas afinal, o que isso muda na nossa vida? Nada. Absolutamente nada. Essa informação serve apenas para nos alertar que não dá para acreditar em tudo que se vê na internet. Nem mesmo naquilo que se lê no impresso, muito menos no que é veiculado na TV. A solução é a mesma de sempre: precisamos manter o constante exercício do ceticismo. Checar, checar e checar. Isso não garante que você não seja enganado, mas reduz consideravelmente os riscos.

Os erros e tendências da mídia tradicional parecem inocentes quando comparados ao que está sendo feito atualmente pelas redes sociais. Mas essa mesma mídia tradicional vem perdendo força por não ter como se financiar. E isso é algo que muda a nossa vida. Se você acha que um mundo com jornalistas é ruim, imagine sem eles.

Feliz 2017!

 

José Fagner Alves Santos

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