Publicado em 7 de janeiro de 2016

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

O ano de 2016 está aí e um grande sinal de interrogação paira sobre a economia brasileira, diante das incertezas econômicas apresentadas. Em janeiro de 2015, a chegada de Joaquim Levy para assumir o Ministério da Fazenda deixou um ar de esperança no ar, já que ele passou a ser visto como uma espécie de “salvador financeiro” que colocaria ordem nas contas públicas da casa.

Todavia, conforme o tempo passava, Levy foi enfrentando dificuldades no Congresso para que fossem aprovadas medidas de ajuste fiscal, propostas por ele. Pesaram sobre este cenário a preocupação dos parlamentares não somente em desgastar a própria imagem perante a população, ao aprovar medidas que elevem os impostos, como terem seus orçamentos reduzidos diante do aperto do caixa nacional.

O ápice do estresse entre Levy e opositores a suas ideias aconteceu na terceira semana de dezembro de 2015, quando o Planalto enviou um projeto ao Legislativo prevendo a redução da meta fiscal de 2016 de 0,7% para 0,5%, sem conhecimento do ministro que foi contra o projeto. Após um acúmulo de desgastes, Levy acabou pedindo demissão e seu posto passou a ser ocupado pelo até então Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Em meio a tantos conflitos, a produtividade permanece estagnada, a inflação e o desemprego dispararam e os políticos, ao invés de tomarem medidas eficazes, brigam entre si num verdadeiro jogo de chantagens, conforme são acusados por corrupção.

Do ponto de vista estrangeiro, a situação também se revela desanimadora para o Brasil. Em setembro de 2015 a agência americana de avaliação de crédito Standard & Poor’s rebaixou o país e retirou dele a classificação de grau de investimento. Já em dezembro de 2015 foi a vez da agência Fitch retirar o selo de bom pagador do Brasil.

O grau de investimento é uma condição determinada por agências de classificação – as de maior visibilidade são a Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch – para indicar se países, empresas ou papéis são estáveis e confiáveis para os investidores internacionais. Quanto maior a nota, mais propícias são as condições para se investir.

Portanto, perder o grau de investimento, como é o caso do Brasil, significa afastar investidores, que deixam de aplicar recursos aqui para fazê-lo em outros países – sem contar o dinheiro já investido aqui, que deve migrar para outros mercados. Com a saída de recursos estrangeiros, o país sofre uma escassez da moeda norte-americana que passa a se tornar mais cara por aqui. As empresas nacionais também são afetadas com uma possível elevação da taxa de juros, as quais elas terão de pagar se quiserem captar recursos no exterior.

Enfim, o ano de 2016 certamente não será dos melhores para a economia brasileira, mas pode superar 2015 no quesito crescimento econômico se as devidas providências forem tomadas. Ajuste fiscal é necessário, porém, deve ser aplicado com cautela. Além disso, de nada adiantará o governo elevar os impostos para aumentar o caixa, se não reduzir gastos, e não nos esqueçamos que foi justamente o gasto governamental desenfreado uma das maiores causas da recessão atual.