Seja nas redes sociais, em veículos midiáticos ou até mesmo em programas de humor, você já deve ter visto ou ouvido no formato de notícias, piadas ou charges um dos temas que mais vêm sendo comentados em todo o Brasil: o aumento do preço do tomate, cuja alta foi de 60% no primeiro trimestre do ano, equivalente a um aumento de 120% em relação ao mesmo período do ano passado. Com tamanha elevação nos preços, o quilo deste produto chegou a ultrapassar os 10 reais!


Por trás deste reajuste tão acentuado se escondem os motivos que levam não só à disparada do preço do tomate, como de vários outros produtos: as condições climáticas que se mostraram altamente desfavoráveis e contribuíram para a queda da produtividade agrícola, com a acentuada seca em alguns lugares e excesso de chuvas em outros, e a priorização dada pelos grandes agricultores que, face à valorização da saca dos grãos, preferiram plantar soja, milho e trigo.

Mas há que se levar em consideração outro grande fator que estimula o aumento: o comportamento do mercado. Uma vez que os produtores não conseguem atender a demanda, há uma valorização do produto, que passa a ser vendido com sobrepreço, promovendo a elevação inflacionária que assombra os bolsos do brasileiro com seus tentáculos cada vez maiores. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou uma alta acumulada de 6,59% de inflação nos últimos doze meses encerrados em março.

É sabido que o valor da inflação brasileira há tempos já havia ultrapassado o centro da meta oficial do Brasil de 4,5%. Porém, desta vez, a alta chegou a ultrapassar até mesmo o teto máximo estabelecido de 6,5%. O motivo do aumento do tomate está explicitado, mas o que explica a elevada inflação?

Não é de hoje que períodos de seca e chuvas atrapalham a safra agrícola, mas atribuir as elevações inflacionárias apenas e unicamente ao clima, certamente não é a melhor maneira nem de criar uma desculpa para os problemas econômicos perpetrados no Brasil. A falta de estrutura para escoamento da safra agrícola, com deterioração de produtos antes que cheguem ao seu destino, como já comentei em artigos anteriores, também é um dos problemas que contribuem para a alta dos preços. E mesmo com a inflação em 6,59%, a presidente Dilma alega que ela está controlada: conversa para boi dormir? Afinal, a população brasileira sente na pele, e principalmente no bolso, esta elevação inflacionária e sabe que a “normalidade” proferida por Dilma não é real.

Todavia, diante de tal cenário econômico, o Governo Federal continuou relutando por muito tempo em tomar as medidas consideradas necessárias para solucionar um complicado agravante como a alta da inflação, que são: o aumento da taxa básica de juros, a diminuição do crédito e a redução dos gastos governamentais. São itens que nenhum governante gosta de adotar, já que acarretarão em aumento acentuado do custo de vida para a população, com consequente queda da qualidade de vida, mas que diante de uma alta inflacionária são devidamente necessários para que, com o tempo, os preços se normalizem.

Em 2012 a presidente Dilma, preocupada em conceder benefícios para a população, estimulou os bancos a reduzirem as taxas de juros e aumentou a concessão de créditos para fomentar os empréstimos a serem feitos pelos brasileiros, que assim poderiam ampliar o poder de compra.

Dilma seguiu a lógica que taxas de juros elevadas aumentam o endividamento e a inadimplência. Num primeiro momento a redução das taxas de juros propiciou ambiente muito favorável para renegociação e quitação de dívidas. Entretanto, os critérios utilizados pelas financeiras para conceder empréstimos, interessadas tão somente em atrair pessoas para contraí-los, posteriormente gerou mais endividamento entre as famílias, num momento de baixa produtividade brasileira por falta de mais investimentos governamentais.

Resultado: com a produtividade afetada, a produção não foi suficiente para atender a demanda que se tornou maior do que a oferta, a concessão de créditos feita sem os devidos critérios contribuiu para o endividamento de muito mais famílias brasileiras e o poder de compra populacional se reduziu. Foi aí que entrou em cena um verdadeiro fantasma tanto para o produtor – que também se vê prejudicado em termos de competitividade, essencial para manter o equilíbrio das empresas produtoras – quanto para o consumidor: o aumento da inflação.

A consequência deste agravante resultou, como é de praxe, em fatores prejudiciais para o Brasil como, por exemplo, o afastamento de investidores que se sentiram inseguros diante da queda da produtividade, diminuição da competitividade e maior ingerência estatal na economia brasileira.

Portanto, se as medidas corretas não forem tomadas, setores como o de emprego e serviços, que continua indo bem proporcionando queda do nível de desemprego, podem sofrer uma desagradável reversão.  Mas a esperança é a última que morre e vagarosamente o Governo Federal parece estar disposto a começar algumas soluções para combater a inflação: o Comitê de Política Monetária (Copom) acaba de anunciar um aumento da taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual para 7,5% ao ano e alega que a alta pode continuar.

Entretanto, existe outra corrente de economistas que entende como precipitada a atitude do COPOM em aumentar a taxa de juros, uma vez que ele enxerga que os preços estão se estabilizando e esse aumento apenas agrada ao setor financeiro, já que estimula a cultura inflacionária do brasileiro e induz este mercado ao lucro fácil, explorando com a alta de juros excelentes oportunidades de lucro sobre o endividamento da população, e sem a contrapartida da produção e geração de bens.

Outra alternativa viável para tentar controlar a alta acentuada do preço dos alimento seria a liberação provisória por parte do governo das importações de produtos como a cebola e o tomate de países vizinhos, forçando a baixa dos preços e a volta aos patamares normais, o que retarda a política de incentivo à produção nacional. De qualquer forma, onde quer que se mexa, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, mas não há cura do doente sem um remédio amargo.

Cabe também à população combater esse efeito, com suas principais armas, reduzindo o consumo – e até boicotando certos produtos – e substituindo-os por outros, até porque, inflação passada jamais é recuperada no poder aquisitivo das populações de classes economicamente média e baixa, incorporando ao custo de vida dessas faixas.

Trata-se de um pequeno começo para que a economia brasileira volte a se estabilizar. Mas a situação poderia ser bem mais fácil do que é, afinal, se os gastos recheados com benefícios parlamentares fossem destinados a fins bem mais proveitosos como para produção, educação e saúde, o Brasil já estaria muito a frente de onde está. Mesmo com a inflação em alta.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas