Publicado em 1 de outubro de 2016

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

“A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. A famosa frase do renomado escritor e dramaturgo inglês, Oscar Wilde, é constantemente usada em publicações, diálogos e diversos outros meios consagrando-se como aquelas sentenças que todos gostam de utilizar para metaforizar, entre outras situações, momentos em que nossa vida parece estar num palco.

Pois esse discurso tudo tem a ver com o que se passa na peça teatral O Grande Sucesso, escrito e dirigido por Diego Fortes. Numa mescla de musical e humor satírico, o espetáculo transforma o palco do Teatro Vivo, onde está em cartaz, numa coxia de um teatro composta por um grupo de atores secundaristas, que travam os mais diversos diálogos enquanto esperam pela sua vez de entrar em cena.

Por meio de cânticos, danças e reflexões filosóficas os personagens expõem seus incômodos, melancolias e as dificuldades em obter sucesso, de forma bem irônica e provocativa, convidando o público a refletir junto com o elenco. Há inclusive momentos em que os personagens satirizam a própria plateia pela forma como ela reage a determinadas interações cênicas feitas com ela, inclusive que acontecem na própria peça.

Esse modo provocativo que foge do correto e caracteriza o espetáculo é um dos grandes destaques inteligentes de O Grande Sucesso, não apenas por satirizar a realidade artística, como trazer implicitamente uma sátira da própria vida real que, muitas vezes, como já abordado no início deste texto, imita a arte.

O ator Alexandre Nero ressalta-se no palco no papel do personagem mais melancólico e crítico do grupo de artistas, respondendo sarcasticamente a praticamente todas as situações vividas na coxia e arrancando, assim, altas risadas da plateia.

A atriz Carol Panesi também arranca boas risadas em diversos momentos com sua personagem que, de tanto desejosa em se destacar, usa e abusa das expressões corporais, denotando tremendo exagero até mesmo para o teatro, que realmente permite maiores gesticulações. Mas o fato é que todos os oito atores do elenco (Alexandre Nero, Carol Panesi, Edith de Camargo, Fernanda Fuchs, Fabio Cardoso, Eliezer Vander Brock, Marco Bravo e Rafael Camargo) estão em perfeita sintonia destacando-se conjuntamente no palco.

As personalidades confusas dos personagens são explicitadas não somente por suas características, como pelo excesso de cores, adereços e figurinos que visualmente contribuem para fortalecer a ideia central da peça de buscar um sentido para a vida, em meio a tantas turbulências diárias. O Grande Sucesso é, portanto, uma peça que nos convida a sair de nosso estado de conforto e a adentrarmos num “caos filosófico”, muitas vezes necessário para encararmos o mundo. Com 105 minutos de duração, a peça ficará em cartaz até 16 de outubro.