Recentemente li uma matéria que me chamou muita atenção, intitulada “Não quero ter filhos, e daí?”. O texto era uma análise sobre o preconceito existente na sociedade sobre a escolha de algumas mulheres.

Desde os tempos antigos a mulher sempre foi vista como um ser inferior ao homem. Nascida para cuidar do lar e dos filhos, criada na intenção de agradar ao marido, desde a infância o sexo feminino é orientado e incentivado a brincar de casinha e de boneca. Mas a história mudou. Em meio a uma sociedade capitalista, competitiva, onde os interesses próprios são colocados à frente dos interesses do próximo, fica óbvio a decisão de algumas mulheres em não ter filhos.

Por experiência própria percebi ao longo do tempo a insistência de algumas aspirantes a avós (ôs) e tias (os) e demais familiares na concepção de um novo membro diante da formação de um casal. Na teoria tudo funciona, mas na prática é bem mais difícil.

Ser mãe é um processo muito solitário, que começa ainda na maternidade. Não é fácil após um exaustivo parto normal ou cesáreo receber nos braços uma pequena nova vida, quando a única coisa que se deseja é dormir e descansar. É um momento de vulnerabilidade e insegurança. Não é fácil ficar nua na presença de estranhos acariciando seus seios na tentativa de fazer sair leite para amamentar. Não é fácil acordar no meio da noite para fazer mingau e balançar por horas um bebê na luta incessante de fazê-lo dormir. O apoio familiar não dura muito, muitas vezes ainda somos obrigadas a ouvir ouvir daqueles que tanto desejaram e pediram o novo ser aquela famosa frase “Quem pariu Mateus que balance”.

Ninguém disse que seria fácil, mas ser mãe vai muito além de ter um bebê. Ser mãe é renunciar a si mesmo. É não ter tempo para mais nada. É perder a liberdade de ir e vir. Ser mãe é passar noites em claro e ainda assim ouvir críticas de como está fora de forma ou da falta de maquiagem no dia a dia. Ser mãe é perder amigos, geralmente aqueles que ainda não passaram pela experiência e não conseguem esconder a indiferença e o incômodo em ouvir uma criança berrando. Ser mãe é sentir falta dos convites para sair na sexta a noite após o trabalho. É desistir de sonhos e abrir mão de viagens. É dormir algumas vezes sem escovar os dentes de tanto cansaço. É tomar banho frio e comer a comida quente. Ser mãe é um desafio diário de paciência e amor. É fazer de tudo para alimentar, cuidar e educar um filho e ainda assim ouvir dos outros que “você não estava pronta para ser mãe”. Ser mãe é chorar as escondidas pelas cobranças que recebemos e assumimos, pelas dúvidas do certo e errado, pelas incertezas e inseguranças.

Não quero estragar o sonho de algumas mulheres, claro que a maternidade tem o lado bom como amar incondicionalmente e ter os dias completados pela alegria, inocência e pureza de um ser vindo de você. Com o passar do tempo encontramos novas formas de ser feliz, como namorar na sala, baixinho, pra não acordar o bebê. Aprendemos a passear na praia segurando o bebê-conforto, aprendemos a trocar fraldas no meio de um Shopping Center lotado, descobrimos outras formas de curtir à vida, além de construirmos novos círculos de amigos.

A mulher não deve ser mais ou menos valorizada pela escolha de ter ou não um filho. É uma decisão que muda vidas e destinos. Ninguém está pronta para ser mãe e pai, da mesma forma que a responsabilidade é de quem traz ao mundo, a escolha é de quem vai trazer ou não essa nova vida.

Muitas vezes achamos que é o fim, mas na verdade é apenas o início de uma jornada. Escolher a maternidade em nossa sociedade é se aventurar por um caminho cheio de riscos e desafios.

 

Leia Araújo

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