Publicado em 19 de junho de 2016

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Se fizermos uma retrospectiva dos últimos acontecimentos que marcaram a política brasileira no primeiro semestre de 2016, certamente haverá muito o que retratar. O grande marco começou com o afastamento da presidente Dilma Rousseff por até 180 dias para análise de seu processo de impeachment, aberto pela realização de pedaladas fiscais.

O afastamento foi seguido pela troca de ministros do seu partido e da estreia do então vice Michel Temer como presidente interino. Grande parte da população viu com bons olhos o afastamento da presidente e saída de membros do seu partido que está envolto em atos corruptos. Principalmente políticos adversários comemoraram tal feito, pois acharam que assim ficariam livres das investigações da Operação Lava Jato que vem prendendo políticos e empresários envolvidos em esquemas de propinas e lavagem de dinheiro para fechar contratos com a Petrobras.

O fato é que a Operação não deu trela e passou a investigar também aliados de Temer, sendo que alguns chegaram a abandonar seus cargos após verem seus nomes citados nas investigações. Os cidadãos acompanham atônitos tantas mudanças e com a ânsia de saber especialmente uma importante informação, que nem os economistas sabem estimar convictamente: em meio a tantas conturbações, até quando sentirão no bolso o impacto do aumento dos preços, desemprego e da inflação?

De acordo com dados divulgados pelo IBGE, o Brasil está com 11,4 milhões de pessoas desempregadas, um número 42% maior em relação ao mesmo período no ano passado. A situação só piora quando se considera a alta dos preços no mercado acirrada pela crise econômica. Há tempos o Brasil enfrenta uma queda de produtividade inversamente proporcional aos gastos desenfreados do governo, resultantes de uma falta de planejamento – sem contar os desvios monetários cometidos por atos corruptos. Tudo isso acabou virando uma bola de neve que vem sugando o dinheiro do bolso dos cidadãos brasileiros por meio da inflação e alta dos preços.

Agora Michel Temer e o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, precisam tomar as medidas necessárias para estancar a sangria da recessão, começando pelo corte de gastos orçamentários, investimentos em produtividade, entre outros… O fato é que o presidente interino vem enfrentando dificuldades na aprovação de medidas que a princípio possam desagradar até mesmo a população, mas que são necessárias para voltar a gerar fluxo para o caixa nacional.

Um exemplo é a reforma previdenciária, que fixaria uma idade para a obtenção da aposentadoria – ao contrário de como é hoje em que uma pessoa também se aposenta por tempo de contribuição, permitindo que muitos se aposentem mais cedo – reduzindo assim os gasto previdenciários. Em 2015 estes gastos no país atingiram um nível recorde de 11,2% do PIB – equivalente a 700 bilhões de reais.

Outra medida está no aumento de parcerias público-privadas que reduzam os gastos das estatais. Além disso, o governo adota a política de conteúdo nacional que obriga empresas a comprar produtos nacionais – pagando as vezes mais caro – e prejudicando a produtividade.

Enfim, está nas mãos de Temer fazer com que a veia econômica realmente volte a pulsar com vigor e o bolso dos cidadãos brasileiros possam ter um alívio.

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