O Ubuntu continua sendo, até hoje, uma das distribuições Linux mais populares ao redor do globo. Sua proposta de ser um sistema operativo amigável a qualquer tipo de usuário é uma constante a cada atualização e a Canonical, empresa que o desenvolve e suporta, vem seguindo à risca a premissa estabelecida pelo nome que batiza o sistema.
“Ubuntu” deriva de uma filosofia sul-africana homônima que tem como base o respeito e cooperação entre os indivíduos, compartilhando a noção de humanidade. Em tradução livre, seria algo do tipo: “sou o que sou pelo que nós somos”.

Sendo um sistema de código aberto desenvolvido sobre o kernel Linux (baseado no Debian unstable) o Ubuntu mantém a essência filosófica em seu nome, sendo um dos sistemas Linux mais compartilhados e, de longe, com maior número de comunidades de suporte mantidas por usuários.

Seguindo uma lógica semestral de grandes atualizações, o Ubuntu se encontra atualmente em sua edição 17.04 ( ano/versão + mês de lançamento) lançada em abril, sendo esta sua ultima versão estável até o momento. Enquanto isso, nos preparamos para o lançamento oficial da versão 17.10 que traz, dentre as principais novidades, o abandono da interface Unity como padrão de desktop e adoção em definitivo do Gnome Shell. Testamos as funcionalidades do ultimo beta lançado e, agora, traremos algumas considerações.

Estabilidade impressionante (para um beta release)

Testamos durante dois dias o beta 2 do Ubuntu 17.10, última versão de testes disponibilizada antes do lançamento da versão final, que chegará no próximo dia 19 (quinta).

Em termos gerais de usabilidade, se compararmos à versão versão 16.04, última versão LTS (Long Term Support) do sistema, não notamos qualquer diferença, princialmente no que tange à estabilidade. Curiosamente, após uma sessão de elogios digna de um pai orgulhoso, presenciamos dois force closes. Nada de absurdo quando lembramos que se trata de uma versão não finalizada do sistema.

Incompatibilidade com alguns programas?

Obviamente devemos retomar a consideração de ser uma versão beta. No entanto, apenas para registro, tivemos problemas ao tentar instalar alguns aplicativos essenciais (em nosso caso) como o WPS Office, excelente substituto para o conjunto de aplicações da Microsoft e drivers hplip para impressoras hp (esse retorna a mensagem de ainda não possuir compatibilidade com a versão do Ubuntu em questão). O player de áudio Clementine apresentava travamentos logo após a instalação, mas um reinício do sistema foi suficiente para corrigir o problema.

Otimização visual

Novo layout das configurações do sistema

Impossível não comentar a principal alteração estética no no novo Ubuntu: a dash lateral do unity já não está mais está entre nós, dando espaço para a nova Ubuntu Dock, uma modificação da dock lateral do Gnome. Modificação bastante competente, diga-se de passagem. Se o intuito era garantir ao usuário uma experiência menos agressiva na transição forçada de Unity para Gnome, a missão foi cumprida com êxito. A barra superior não apresenta grandes mudanças em relação à do Gnome Shell, perdendo apenas suas quinas curvadas (que pena!) e recebendo um efeito de transparência para harmonizar-se com a dock. Avançando Ubuntu adentro, o clássico menu de configurações, presente tanto na versão Unity desktop quanto em sua variante Gnome, foi substituído por uma barra de configurações lateral que agrega, por categoria, todas as ferramentas necessárias para configuração e personalização do sistema. Particularmente, achamos esse formato mais funcional e elegante.

Opções de conectividade melhoradas

Não consigo conectar meu headset bluetooth no Ubuntu”

Você já ouviu essa frase antes? Uma das reclamações mais comuns nos fóruns de suporte era a falha de comunicação de hardware via bluetooth. Para não fugir à regra, enfrentávamos o mesmo problema para conectar um minissystem LG, tanto no Ubuntu quanto no Mint.

A nova versão do Ubuntu, no entanto, parece ter corrigido alguns problemas de incompatibilidade existentes com certos aparelhos bluetooth. No caso de um headset ou aparelho de som qualquer, além de o pareamento ser imediato e sem falhas, assim que conectado, o áudio já é direcionado para a saída correspondente ao dispositivo sem fio, evitando ao usuário a necessidade de entrar nas configurações de áudio e fazê-lo manualmente.

Conexões sem fio simplificadas e mudanças bem dosadas na estética do Gnome Shell


O Ubuntu vem sendo, há muito tempo, a aposta da maioria daqueles que pretendem se iniciar no mundo open source. Sua simplicidade de manuseio, ao mesmo tempo que entrega ao usuário uma experiência de sistema operativo absolutamente completa, se enquadra com perfeição na filosofia comportamental que o nomeia.

Uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível para outros, apoia os outros, não se sente ameaçada quando outros são capazes e bons, baseada em uma autoconfiança que vem do conhecimento que ele ou ela pertence a algo maior e é diminuída quando os outros são humilhados ou diminuídos, quando os outros são torturados ou oprimidos.

Ao que parece, a Canonical está se esforçando para garantir ao seu sistema uma evolução natural, adequando-se tanto ao que o mercado exige quanto ao que o usuário comum necessita. Vamos torcer para que eles mantenham sempre essa diretriz.

Uma interface gráfica redesenhada e consumo de recursos bem equilibrado.

  • Adenivaldo Brito

    Nota importante: após a postagem deste artigo, percebi que a incompatibilidade com o pacote WPS office, se devia à ausência de uma biblioteca do sistema. Após a instalação da biblioteca “libpng12-0” a instalação é permitida e os programas do pacote office são executados normalmente.
    Link para download do arrquivo: https://packages.ubuntu.com/xenial/amd64/libpng12-0/download

    Boa sorte!