Publicado em 6 de novembro de 2015 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Para muitos brasileiros, aquela tão esperada viagem de fim de ano será postergada para um prazo indefinido. A causa maior desta indefinição chama-se alta do dólar, que compromete nossas economias. Aliás, um dos grandes efeitos da crise interna no país.

 E tal cenário só tende a se fortalecer cada vez que a moeda norte-americana sai em debandada do Brasil: segundo informações divulgadas pelo Banco Central, em outubro de 2015 a saída de dólares superou a entrada em US$ 3,5 bilhões – o contrário do que ocorreu no mesmo período, em 2014, quando o fluxo cambial foi positivo (mais entrada que saída) em US$ 6,927 bilhões.  Essas diferenças são agravadas pelas contas financeiras e comerciais negativas do país diante da crise econômica. Para completar, a queda dos investimentos estrangeiros e redução das exportações, dada a falta de incentivo à produtividade brasileira, contribui para que menos dólar entre no caixa nacional e continue assim mais elevado, desvalorizando o real.

Mesmo diante de tal crise, a situação poderia ser diferente se o Brasil ampliasse, ou melhor, aprimorasse seus contatos lá fora para acordos comerciais. Em outubro de 2015, doze países do Pacífico – EUA, Japão, Canadá, México, Peru, Chile, Cingapura, Austrália, Brunei, Malásia, Nova Zelândia e Vietnã – assinaram a chamada Parceria Transpacífico (TPP), que consistirá, entre outras medidas, na redução de tarifas comerciais e simplificação de critérios para exportação entre seus países membros.

Apesar de ainda não haver uma previsão para a validação da TPP, ela ameaça surtir efeitos, por exemplo, com países membros procurando investir suas ações ou transferindo empresas para outros, ligados à TPP, que lhes oferecerão produtos mais baratos.

O Brasil não faz parte deste acordo que poderia lhe render bons frutos, especialmente no momento atual de aperto financeiro, por meio da entrada de dólares oriundos de maiores exportações e investimentos. Nem se ele quisesse, poderia integrar o TPP. O país faz parte do Mercosul, que tem como uma das regras que, se qualquer um dos seus membros desejar participar de um acordo, todo o seu bloco – formado por Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Venezuela (membros efetivos) – deverá participar também. O problema é que seus membros são conhecidos por terem perfil mais protecionista do que liberal.

Apenas como exemplos podemos citar os governos da Argentina que, depois da crise de 2001, aumentou o protecionismo, e da Venezuela, que, por muito tempo, forneceu subsídios à população, utilizando de medidas assistencialistas, bancadas pelos lucros petrolíferos, ao invés de estimular a produtividade e competitividade.

Portanto, sem uma visão mais ampla e de abertura econômica que permita maiores investimentos, competitividade e consequente crescimento das companhias nacionais, dificilmente o real ganhará forças para rodar novamente as engrenagens da economia brasileira. É preciso ir além do Mercosul!

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