Publicado em março de 2015 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Ela divertiu inúmeras gerações com seu talento artístico, voltado principalmente para a comédia. Conhecida como uma honrada e consagrada atriz, comediante, cantora e apresentadora norte-americana, Whoopi Goldberg continua a encantar diferentes faixas etárias com suas vastas produções no cinema e na TV, nas quais participou ao longo de sua carreira.

Entre elas, é difícil não se lembrar de Mudança de Hábito (1992) – comédia cinematográfica de grande sucesso protagonizada por Whoopi, que mostrou toda sua genialidade cômica ao encarar uma personagem que tocava o terror num convento, onde ela tentava se passar por freira.

Desde o dia 6 de março de 2015, os brasileiros podem reviver esses divertidos momentos, agora no palco do Teatro Renault, que apresenta desde então o espetáculo musical Mudança de Hábito.  Com direção original de Jerry Zacks – dirigiu mais de 35 produções em Nova York – papel assumido pela coreógrafa Fernanda Chamma durante temporada aqui em São Paulo, a peça tem direção musical de Vânia Pajares e produção de Whoopi Goldberg.

Mudança de Hábito conta as aventuras de Deloris (Karen Hills), uma cantora que sonha em se tornar famosa, mas se vê obrigada a mudar completamente seus planos quando, ao testemunhar um assassinato cometido pelo seu namorado, que passa então a ameaçá-la de morte, é orientada a se refugiar num convento e se passar por uma freira.

A partir de então dá-se início a altas confusões entre Deloris e as irmãs religiosas, já que a cantora mal consegue fingir ser uma freira com seu jeito todo liberal de ser. Mas, com o passar do tempo, Deloris e as freiras vão estreitando uma diferente e bonita amizade, principalmente depois que ela revela seu talento para a música, dando uma animada geral no coral das irmãs e também nas celebrações das missas, algo que acaba atraindo fiéis de várias regiões para vê-las. Conservadora, a Madre Superiora não gosta nenhum pouco das ideias da cantora.

Ovacionado pela plateia, este é um espetáculo que acerta em cheio em praticamente todos os quesitos: atuação, coreografia, cenário, texto, músicas – mesmo estas não sendo as versões originais do filme são perfeitas para contar a história, divertindo e emocionando os espectadores.

O musical proporciona um equilíbrio perfeito entre as músicas e as falas dos personagens – já que algumas produções costumam pecar pelo excesso de números musicais, pois acabam por sair do contexto apresentado no roteiro. Afinal, não é por que se trata de um musical que este deve estar repleto de músicas do começo ao fim, pois ele é qualificado pela sua capacidade de contar uma história através da música e não simplesmente de preencher toda a peça com números musicais, sem se ater ao contexto.

A atriz e cantora Karen Hills – que ficou popularmente conhecida ao fazer parte do grupo musical Rouge, em 2002, além de ter atuado em outros musicais como Hairspray e Allô, Dolly – mostra que tem uma excelente veia cômica ao praticamente conduzir todas as cenas com um humor leve e ao mesmo tempo bem engraçado. Não há como não notar também a sua magnífica voz, que chega a emocionar e arrepiar o público.

A atriz Andrezza Massei também revela seu talento nato para o humor interpretando uma freira atrapalhada e divertida que sempre arranca risadas do público. Outro destaque é Ana Luiza Ferreira que, no papel de uma postulante, atinge agudos tão potentes ao entoar canções que chega a impressionar.

Um show de luzes e cores estão presentes nos cenários e figurinos que se revelam impecáveis, compondo um musical que deixa um gosto de “quero mais” no final.