Publicado em 27 de julho de 2015 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Brigas conjugais, crise no casamento, separação: quando o assunto é matrimônio, o mercado cultural parece ter um prato cheio para explorar, principalmente nas áreas cênica e cinematográfica. A comédia, por exemplo, é um gênero que insiste em se beneficiar deste tema, basta pensar em algumas comédias do cinema ou mesmo ir a shows humorísticos para que a tão tradicional união entre duas pessoas que se amam surjam nos roteiros e piadas feitas pelos comediantes.

Junto com o matrimônio, as crises conjugais também ganham destaque, seja nos telões ou nos palcos. E mesmo sendo um assunto já tão retratado nos roteiros, ele não se esgota, um fato que talvez possa ser explicado pela identificação dos espectadores com as situações apresentadas.

Todavia, também há que se levar em conta que muitas das famosas piadas sobre problemas matrimoniais já se tornaram tão rotineiras e banais, que acabam estragando os roteiros. Por outro lado, ainda existem boas produções que tratam do assunto, resistindo à mesmice daquelas que permanecem no “marasmo matrimonial”.

Originário de uma série cômica televisiva de mesmo nome, exibida no canal pago Multishow, o filme Meu Passado Me Condena pode ser considerado um exemplo. Após o sucesso do primeiro longa em 2013, o filme ganhou sua continuação – Meu Passado me Condena 2 – e está em exibição nos principais cinemas do Brasil.

A série conta as peripécias vividas pelo casal Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello), sendo que a maioria das situações afeta de alguma forma o relacionamento deles.

Já o primeiro longa retratou a lua de mel do casal num cruzeiro e, agora, na continuação, mostra o casal vivendo uma crise, três anos após o casamento. Para complicar ainda mais a situação, a avó de Fábio morre e ele parte com sua esposa para Portugal, onde ela vivia com seu avô (Antônio Pedro), que exige a presença do neto no enterro.

Lá eles encontram uma ex-namorada de Fábio (Mafalda Rodiles) que, apesar de estar noiva de um amigo de infância dele (Ricardo Pereira), demonstra ainda ter uma queda pelo seu antigo amor: o que acaba por acirrar ainda mais as brigas entre Fábio e Miá, que logo se veem numa verdadeira “guerra”.

Além de protagonizar a série e os filmes, Porchat e Miá estão encenando Meu Passado Me Condena no palco do Teatro Frei Caneca, onde o espetáculo permanece em cartaz até o dia 29 de novembro.

Mas a chave do sucesso para essa trama ter dado tão certo não está em nada de original e inovador sobre o tema casamento, mas principalmente na própria veia cômica de Porchat, que, por sinal, está incrível nesta trama e consegue conferir a maior comicidade mesmo nas piadas mais simples do longa. Elogiosa também é a atuação de Miá Mello que, junto com Porchat, atinge a química perfeita para o sucesso de tantos anos desta história.

São poucas as comédias brasileiras cuja continuação tende a ser boa e ainda superar a produção anterior, Meu Passado Me Condena 2 pode se inserir nesta categoria e ser um destaque entre tantos filmes nacionais lançados ultimamente, que parecem apenas contribuir em quantidade, mas não em qualidade.