Publicado em 16 de agosto de 2015 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

O cenário é a cidade de São Paulo entre as décadas de 30 e 50, ambientando um musical que, apesar de narrar uma história brasileira, pode muito bem ser classificado como à la Broadway, não apenas pela cenografia, figurinos e performances, mas pela transformação da Terra da Garoa numa verdadeira Nova York brasileira, durante o período citado.

Na década de 30, São Paulo vivia o apogeu do seu crescimento industrial e da intensa urbanização, marcada também pela Revolução Constitucionalista e criação do Estado Novo – regime político criado por Getúlio Vargas, que durou de 1937 a 1945.

A vida noturna paulistana também já se revelava totalmente vivaz, marcada por cabarés espalhados por Sampa e uma boemia descompromissada. É este o ambiente que envolve os personagens de Memórias de um Gigolô – musical baseado no romance de Marcos Rey (1925 – 1999), que também já virou um longa-metragem, em 1970, e minissérie que foi exibida pela Globo em 1986.

O espetáculo narra a história de Mariano (Leonardo Miggiorin), um rapaz que vai morar com uma dona de cabaré depois da morte de sua tia – que morava com ele – e se torna um aprendiz de gigolô. Lá ele conhece Guadalupe (Mariana Rios), por quem se apaixona – uma prostituta recém-chegada ao bordel e que já estava envolvida com seu cafetão, Esmeraldo (o papel é de Marcelo Serrado, mas foi interpretado por seu substituto, Fernando Cursino, na apresentação do dia 02/08/15).

A partir de então, forma-se um triângulo amoroso e uma grande rixa entre Esmeraldo e Mariano, que passam a disputar o amor e a atenção de Guadalupe. Uma sucessão de malandragens e golpes arquitetados pelos dois para seduzir a amada torna-se o foco da peça.

Logo nas primeiras cenas, já é possível perceber Miggiorin destacando-se de todo o elenco. Com excelente entonação corporal e vocal, a transformação do personagem – de menino simples e inexperiente a gigolô – ganha intensa evidência graças às múltiplas e espetaculares mudanças que o ator confere a Mariano. Algumas vezes ele acaba até mesmo roubando a atenção dos dois protagonistas com os quais divide a cena.

Memórias de um Gigolô é dirigido por Josimar Carneiro e Miguel Falabella, responsável pela transformação da obra em musical, integrando a vasta gama de peças à la Broadway baseadas em roteiros nacionais.