Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Filmes baseados em fatos reais costumam atrair a atenção do público por mostrar histórias que realmente aconteceram. E se estivermos falando de dramas com apelo emocional, atrai mais ainda. Este é o caso de três longas que estão na disputa pelo Oscar, incluindo o de Melhor Filme: “Estrelas Além do Tempo”, “Até o Último Homem” e “Lion – Uma Jornada para Casa”.

Analisando este último que estreou mais recentemente, na quinta (16), temos um longa que talvez não ganhe o prêmio mais importante de melhor filme do ano, mas certamente comove e por isso até recomendo levar alguns lencinhos ao cinema para os mais emotivos. Com direção de Garth Davis, Lion conta a dificultosa jornada do jovem indiano Saroo, numa busca incessante para reencontrar sua mãe e irmão após vinte anos sem vê-los.

A história começa num miserável povoado da Índia, deixando claro as penosas situações a que os habitantes estão sujeitos, em busca de trabalho para obter um pouco de sustento para a família. Num determinado dia, Saroo, com apenas cinco anos, (Sunny Pawar) está deitado no banco de uma estação de trem enquanto espera seu irmão mais velho, Guddu (Abhishek Bharate), procurar trabalho. Mas as horas passam e o pequeno não reencontra mais o seu irmão, não conseguindo assim voltar para casa.

Depois de passar alguns dias perambulando pelas ruas e indo parar num orfanato, Saroo é adotado por um casal de australianos (papeis de Nicole Kidman e David Wenham) que o leva para viver em seu país de origem. O tempo passa e a história vai direto para a fase da juventude de Saroo, com 25 anos, (interpretado então por Dev Patel) e sua busca de pistas que possam levá-lo a reencontrar sua família, embora tenha um ótimo convívio com os pais adotivos.

Ao contrário do que é convencional ocorrer em muitas produções – que começam pacíficas e vão trabalhando ação e/ou suspense ao decorrer da história – Lion inicia-se agitado, prendendo a atenção logo nos primeiros minutos, pela sucessão de rápidos acontecimentos que envolvem o protagonista enquanto criança e seu desespero, assim que não reencontra mais seu irmão.

A predominância de cores escuras e planos fechados sobre o ator Pawar são elementos técnicos excelentes para ampliar a sensação de ansiedade e suspense no espectador, que se vê no lugar do pequeno personagem. Mas a atuação de Pawar é também a grande responsável por proporcionar tal suspense. Com apenas oito anos, o ator mirim gera empatia e carisma no público, além de emocionar em alguns momentos – como quando ele enxuga as lágrimas de sua mãe adotiva para não vê-la chorando, dizendo que a ama.

Mas assim que somos apresentados ao Saroo jovem, a trama ganha certa linearidade ao estagnar-se na busca do jovem por informações que os leve aos seus parentes e volta a surpreender nos minutos finais.

Patel – que consagrou-se em Quem quer ser um milionário? (2008) e cuja história tem alguma similaridade com Lion – não ousa muito em seu papel e restringe-se a linearidade do roteiro. Além de Melhor Filme, o longa concorre ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel), Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman), roteiro adaptado, fotografia e trilha sonora.

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