Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Quem é que nunca viu – e alguns até mesmo já arriscaram alguns passos – uma das cenas mais famosas do cinema, realizada pelos icônicos astros hollywoodianos, Gene Kelly (1912-1996) e Jean Hagen (1923-1977), dançando e cantando sob um temporal no clássico Cantando na Chuva? (1952) E quanto as coreografias eternizadas e deslumbrantes encaradas por outra grande dupla do cinema: Fred Astaire (1899-1987) e Ginger Rogers (1911-1995), em diversos clássicos cinematográficos, arrancando suspiros emocionantes e apaixonados de muitos telespectadores?

Os astros acima citados são alguns dos responsáveis por ter consagrado o gênero musical romântico, abarcando uma infinidade de gerações sucessórias que, se não viu, certamente já ouviu falar dessas verdadeiras lendas do cinema. Até quem não é amante de musicais, acaba se envolvendo, de alguma forma, com o encanto que a produção como um todo nos proporciona, não somente pela história, como pela coreografia, músicas e outros elementos. Resgatando tantas cenas históricas e contextualizando-as para a atualidade, o musical La la land – Cantando Estações chegou aos cinemas como sucesso de público e crítica.

Com direção e roteiro de Damien Chazelle – que também fez um belo trabalho dirigindo Whiplash – Em busca da perfeição (2015), narrando as pesadas críticas enfrentadas por um garoto diante da sua vontade de se tornar um famoso baterista de jazz – o novo longa é recordista em indicações ao Oscar, igualando-se apenas aos filmes A Malvada e Titanic. La la land concorre nas categorias melhor filme, direção, atriz (Emma Stone), ator (Ryan Gosling), roteiro original, trilha sonora, fotografia, edição, desenho de produção, figurinos, mixagem de som, edição de som e duas canções, City of Stars e Audition.

A produção também levou o Globo de Ouro em todas as setes categorias que concorreu por Melhor Filme, Melhor Diretor (Chazelle), Melhor Ator em comédia ou musical (Ryan Gosling), Melhor Atriz em comédia ou musical (Emma Stone), Melhor Roteiro (Chazelle), Melhor Canção Original (City of Stars) e  Melhor Trilha Sonora (La la land: Cantando Estações).

Mas qual é a fórmula do sucesso para tamanha repercussão? Uma conjunção de fatores rotula o destaque desse longa, que conta a história do casal Mia (Emma Stone), uma aspirante a atriz que vive fazendo testes para filmes, sem sucesso, e Sebastian (Ryan Gosling), um pianista que sonha em montar o próprio clube de jazz – olha o jazz aí de novo sendo enfatizado pelo diretor –, resgatando a música tradicional, enquanto toca em casas noturnas e restaurantes.

Logo na abertura do longa, o público se depara com uma cena comum do dia a dia, um intenso congestionamento de automóveis na movimentada Los Angeles. Mas logo a cena transcende para a fantasia e tudo ganha um ar mais colorido e intenso, com os personagens dançando e cantando pelas ruas. A cena é filmada num extenso plano sequência, sem cortes, contribuindo para a fluidez sonora e visual da trama no envolvimento com a plateia.

A nostalgia da musicalidade romântica e poética ganha corpo gradativamente, a medida que Mia e Sebastian cruzam o olhar pela primeira vez e não demoram muito para viverem um romance. A produção prima por cores fortes e reluzentes, que parecem transportar toda a agitada correria do dia a dia para um mundo paralelo de sonhos, expectativas e pausas para se aproveitar melhor a vida. O diretor também utiliza de técnicas interessantes, como a iluminação que se fecha sobre o personagem, com tudo escurecido ao redor, para transportar a plateia ao seu mundo interior.

Quanto a história, esta deixa um pouco a desejar nas primeiras partes do filme pela demora no surgimento de conflitos, que só se concretizam da metade para o final da trama e ainda assim são simples e lineares.

Talvez La la land não possua todos os atributos necessários para ser premiado com o Oscar de Melhor Filme, mas é provável que ganhe algumas estatuetas e conquiste até os corações mais resistentes ao gênero musical.

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