Não é a primeira vez que um Dorama me faz refletir. Já falei sobre séries asiáticas aqui no Editoria, em outro artigo.

O drama Immortal Classic, que assisti essa semana, tinha a trama baseada em uma família tradicional coreana e sua herança, o Kimchi. Seus ancestrais, eram grandes mestres da medicina e culinária.

Esses antepassados, escreveram um livro com diversas receitas de Kimchi. Não se tratava apenas de um livro de receitas, mas de ensinamentos de culinária medicinal. Cada uma era única, com especiarias e ingredientes harmoniosamente preparados para fazer bem ao corpo, curar mal-estares e até doenças.

Em um almoço, com diversos diplomatas e figurões da política, uma chef e guardiã do misterioso livros de receitas foi chamada para cozinhar, junto à uma grande equipe. Todos foram servidos com bandejas belíssimas e pratos que mais pareciam obras de arte. A anfitriã, esposa do presidente, na mesa à frente do salão, tomou a palavra. Havia dito que teve bastante trabalho para descobrir como tratar bem aqueles convidados especiais. Terminou dizendo a todos que seu mentor certa vez havia dito que o melhor tratamento é dado quando entendemos o que as pessoas desejam.

Por isso, cada prato refletia a o que cada pessoa apreciava, desejava e principalmente, precisava. Tudo preparado baseado no Livro de Culinária Yoogyeong e por sua guardiã. Pratos preparadas de acordo com a composição corporal de cada um daqueles ilustres convidados.

O embaixador dos EUA, por exemplo, sofria de insônia na trama e odiava sabores intensos. Por isso, a ele, foi preparado arroz com chá verde, jujuba e ginseng para revigorá-lo. A chef havia preparado também, sopa de raiz de dedaleira para aliviar a insônia. E uma salada de alface para ajudá-lo a dormir bem. Havia também Kimchi branco com dedaleiras cruas para refrescar e melhorar a circulação. O embaixador, também recebeu como presente, o vinho de jujuba, para beber sempre uma xícara antes de dormir.

A chef e patrimônio cultural intangível da culinária coreana, passava em cada mesa para cumprimentar e apresentar o que significava o prato que cada um estava comendo e cada convidado recebeu um presente diferente.

Esse capítulo me atingiu de uma forma que não esperava. Porque, de certa forma, é como deveríamos tratar cada um de nossos clientes e projetos – de forma única. Me fez perceber o tipo de responsabilidade que tenho hoje em meu trabalho. E como posso projetar as melhores experiências para os usuários, seja tentando antecipar seus passos ou facilitar sua curva de aprendizagem.

Me lembrei de um dos maiores ensinamentos que tive nesses últimos meses. Executar excelência significa transformar experiências complexas em navegação simples e objetiva.

Às vezes, com a rotina, a gente não percebe a grandiosidade do nosso trabalho. Não importa o tamanho do projeto ou circunstâncias. Cada um precisa ser tratado como se fosse o primeiro e o último de sua vida.

Não somos lembrados por nossos medos, inseguranças ou trabalho árduo. Mas em como somos capazes de proporcionar sublimidade ao que designamos.

Imagem: Dorama Immortal Classic.