Como é possível, para o recém formado em jornalismo, conseguir trabalhar em sua profissão quando o número de vagas diminui exponencialmente a cada ano?

Estava conversando com o meu amigo Vicente Andrade sobre as dificuldades em se manter na profissão de jornalista. Aquele velho papo sobre a falta de vagas nas redações, os baixos salários, o sucateamento dos veículos de comunicação.

No meio dessa conversa surgiu a sugestão do empreendedorismo como alternativa para o jornalista desempregado. As faculdades de jornalismo ainda não oferecem a disciplina de empreendedorismo. A maioria de nós – se não todos – sai da academia com a perspectiva de ser empregado assalariado com carteira assinada. Quase sempre sonhando em trabalhar para um grande jornal ou revista.

A verdade é que, as chances de se entrar num veículo desses, sem um bom network, são muito pequenas. A melhor opção no momento é o mercado digital. Mas, as aulas de jornalismo digital, na maioria das universidades, ainda são muito distantes da realidade do mercado. A melhor maneira de aprender é na tentativa e erro.

Fuja dos gurus que garantem ensinar o caminho das pedras. Se o método deles fosse realmente funcional, eles estariam faturando com serviço de consultoria para grandes veículos como a Folha de São Paulo, em vez de oferecer esses cursos para incautos como você.

COMO FUNCIONA?

Mas, vamos ao que interessa. O plano mais comum quando se fala de empreendedorismo na área jornalística passa por criar um jornal impresso (quase sempre semanal, quinzenal ou mensal) ou um blog (este, com publicações diárias). Em ambos os casos, a monetização (os ganhos) viria com anúncios de comerciantes locais. Por exemplo: a padaria do Manoel, aquela da esquina da sua casa, paga um valor para que um anúncio de sua pequena empresa seja impresso nas páginas do jornal ou exibido na home do seu blog.

Até aí, nada mal. O problema está nos valores cobrados. A padaria do seu Manoel, por ser um empreendimento pequeno, não pode pagar muito. O valor estipulado para a exibição do anúncio no blog está em torno de 30 reais por mês. Esse valor pode variar de acordo com o tráfego do blog.

Trinta reais é o valor médio cobrado nas cidades do interior.

VALE A PENA?

Façamos as contas: Se você, como jornalista empreendedor, quiser faturar o valor de R$ 1000 por mês, precisará de, pelo menos, 34 anunciantes ao valor de 30 reais por anúncio. O cálculo é simples: 30 x 34 = R$ 1020.

Agora me responda: Como você vai cuidar do blog, escrever as matérias e administrar 34 patrocinadores ao mesmo tempo? O ideal seria ter alguém que cuidasse da carteira de assinantes enquanto outra pessoa cuidasse da produção das matérias. Nesse caso, aqueles R$ 1000 que você tinha planejado será dividido por duas pessoas. Você ficará com apenas R$ 500.

No caso do jornal impresso o valor de cada anúncio é um pouco mais alto, mas existe o gasto com gráfica e impressão.

O valor do anúncio precisa ser mais caro para que essa pequena imprensa possa existir. Além disso, outras formas de monetização precisam ser testadas. Venda de conteúdo premium, infoprodutos e PayWall são algumas das possibilidades. Mas nesses casos é preciso tempo e maior investimento.

José Fagner Alves Santos

Este artigo faz parte da campanha #PEDAblogBR.