Os atos de difamação, calúnia e agressão já possuem punição prevista no Código Penal Brasileiro. Ou seja, qualquer um que os cometa estará sujeito às penalidades legais. Portanto, ninguém fica desamparado e nenhuma pessoa, em tese, é inalcançável. Afinal de contas, conforme expresso no artigo 5º da nossa Constituição, somos todos “iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…”

Ocorre, todavia, que sob o pretexto da ineficácia das leis existentes, aos poucos foram surgindo outras para solucionar demandas de novos tempos. De modo que, nos dias atuais não basta ser humano e brasileiro, o indivíduo, para ser protegido pela lei, precisa pertencer a algum clubinho. Logo surge o clube dos idosos, o mega clube das mulheres, o clube dos homossexuais e mais recentemente o clube dos gordinhos.

Não digo que tais públicos não tenham suas demandas e que dar atenção a seus pleitos seja incorreto. O incorreto é que, ao criar tais grupos seletos de acolhidos pela lei, estejamos ignorando e criando, se é que já não existe, o maior público vulnerável.

De acordo com o GGB (Grupo Gay da Bahia), em 2017 foram registradas 1.876 denúncias de agressão contra o público LGBT no Brasil. No que diz respeito especificamente aos casos de agressão à mulher, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre março de 2016 e março de 2017 10% das mulheres brasileiras sofreram ameaça de violência física, 8% sofreram ofensa sexual, 4% receberam ameaça com faca ou arma de fogo. Se formos verificar dados referente às situações de agressão contra os idosos, as crianças e os obesos (não pode mais chamar de gordinho) certamente que encontraremos dados significativos e é claro que isso merece atenção.

Mas talvez estejamos nos esquecendo de alguém. Talvez haja dados ainda mais alarmantes refrentes à violência sofrida por um determinado grupo: os homens.

De acordo com dados apresentados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2017), cerca de 91,3% do total das vítimas de homicídios no Brasil são do sexo masculino. Se formos buscar dados quanto aos índices de agressão verbal contra homens ou quantos homens morreram em razão de serem homens, constataremos que tais dados inexistem. Se quisermos saber dados sobre os índices de homens vítimas de violência doméstica encontraremos não mais que especulações e um ou outro dado incerto.

O que podemos ao menos aventar com isso é o fato de que, talvez, aos poucos, os homens estejam se tornando o verdadeiro indivíduo desprotegido. E como foram ensinados a não chorar, eles não reclamam. Na verdade, a maioria sequer percebe que está ficando vulnerável.

Sim. Se a questão é proteger em razão dos dados, eles aí estão e são alarmantes. Se devemos proteger as minorias, eles em relação às mulheres já são a minoria, pois conforme dados divulgados pelo IBGE em 2015 eles já somavam apenas 48,4% da população. E é importante lembrar que tais dados incluem também aqueles que, embora tenham nascido com o sexo masculino possuem orientação homossexual.

Para se ter uma ideia, de acordo com a pesquisa retro mencionada, em 2014 o Brasil tinha cerca de 6,353 milhões de mulheres a mais que homens. Esses números refletem uma população que vem crescendo ano após ano e conquistando seu merecido espaço.

Os homens, porém, estão tão abandonados que, se perguntarmos a alguém: em que data se comemora o dia do homem? Verificar-se-á que a maioria das pessoas desconhece, é 15 de julho. Sim! Nesta data comemora-se o Dia Internacional do Homem.

Os homens sempre foram e sempre serão o verdadeiro sexo frágil. Essa é talvez a mais dura verdade. Nas guerras as crianças e mulheres sofrem, mas sofrem muito mais os homens que vão lutar nas batalhas e não raramente perdem suas vidas. Homens e mulheres podem trabalhar para sustentar a família, mas a sociedade vê como obrigação apenas do pai alimentar os filhos. Violência doméstica principalmente no que se refere à agressão verbal, atinge homens e mulheres, mas somente mulheres têm suas queixas acolhidas. Quando a mulher fica gestante tem estabilidade no emprego, mas quando o homem, mesmo que seja o único provedor do lar, e ainda há casos, tem sua esposa gestante, não obtém o mesmo benefício.

Esses são apenas alguns exemplos dentre tantos que poderiam ser citados para demonstrar a vulnerabilidade masculina. Com isso, não queremos, repito, tirar os méritos dos pleitos dos idosos, dos obesos, dos homossexuais e nem, muito menos, das mulheres. Entretanto, certamente existe algum desequilíbrio em andamento e nessa acepção de pessoas os homens estão tomando um baita prejuízo. Talvez todos sejam iguais perante a lei, mas pelo visto a lei não é igual para todos.