Há um tempinho atrás eu me informei sobre um assunto que esteve presente nas mídias, se iniciou nos EUA e ganhou grande repercussão, inclusive no Brasil: trata-se da eliminação dos bancos centrais. Esta ideia vem sido defendida por muitos – inclusive por Ron Paul, que lançou o livro O Fim do Fed – como uma salvação para a situação econômica de modo que o intervencionismo estatal, ocasionado pela ajuda dos bancos centrais, prejudica a competitividade dos bancos e contribui para que eles possam conceder mais empréstimos com maior controle de juros, por exemplo, pois têm a garantia de reservas estatais caso haja uma deterioração da situação econômica. Fala-se muito em acabar com o banco central norte-americano, o Fed, pois ele ajudou a controlar a crise de 2008, mas, andam dizendo que se ele tivesse sido extinto antes, a crise nem surgiria, já que as instituições bancárias e financeiras não relaxariam nas concessões de empréstimos.

Abro um parênteses para destacar que tal questão é muito complexa e envolve a extinção de um meio que, quando necessário, precisa intervir para regular a economia de um país. Aproveito para deixar claro que a argumentação dos defensores do fim do banco central em razão do intervencionismo estatal e da redução de competitividade entre bancos é de grande relevância, mas acredito que se a solução precisa envolver maior comprometimento por parte das instituições privadas, por que não fazer isso de modo que as reservas estatais continuem a existir, mas sejam muito mais controladas dentro de um plano de austeridade imposta pelos bancos centrais?

Tudo bem que a crise de 2008 poderia ter tido suas chances amplamente reduzidas de ter ocorrido, caso não tivessem sido feitos tantos empréstimos, mas vivemos em um mundo onde, por mais que as instituições adotem medidas cautelosas e acelerem a competitividade entre elas, sem esperar a ajuda de reservas estatais, não estamos livres de uma crise no caso de quebra da economia.

Por isso, por mais precavidos que possamos ser, não ficamos totalmente blindados a sofrer uma recessão econômica e, se for adotada a ideia de extinção dos bancos centrais, o agravamento da situação certamente será muito pior ao que estamos vendo hoje. Assim sendo, concordo que uma redução desse intervencionismo estatal seja necessária, mas que ele se manifeste, no caso de uma grande catástrofe econômica, para que a economia não se deteriore de vez. O certo não é acabar com os bancos centrais e sim promover a adoção, por parte deles, de medidas mais austeras a fim de controlar a economia e prevenir o estouro de uma nova bolha.

Por Mariana Mascarenhas