Publicado em 26 de março de 2015

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Já somos mais de 200 bilhões de brasileiros espalhados por suas cinco regiões, que juntas se assemelham a um continente, dada a grande diversidade étnica, cultural e social do Brasil. A economia brasileira hoje é a maior da América Latina e a sétima maior do mundo – corre o risco de perder este posto para a Índia.  Todavia, o país vem passando por algumas dificuldades, agravadas pela queda na produtividade, alteração cambial e pelo afastamento dos investidores estrangeiros diante das incertezas econômicas apresentadas.

Em meio a este cenário conturbador, a falta de planejamento econômico surge como uma das grandes causadoras da “enfermidade econômica” atual. Mas planejar a economia de um país vai muito além de tomar as devidas providências para garantir uma estabilidade financeira. É preciso conscientizar-se das necessidades que assolam as minorias da sociedade brasileira, incluindo os marginalizados e excluídos sociais.

Não há como negar os avanços e benefícios que o capitalismo, a globalização e as inovações tecnológicas – dos quais sou totalmente defensora – trouxe para o mundo em termos de crescimento e desenvolvimento econômico, social e político. Mas é preciso reforçar os riscos que o mau uso das novas tecnologias, especialmente, está trazendo quando criam um distanciamento e isolamento dos seus usuários.

Acompanhar todas as novidades que chegam ao mercado tecnológico hoje tornou-se tarefa quase impossível diante da infinidade de lançamentos momentâneos. Desta forma, passamos a viver a cultura do descartável, onde tudo parece perder seu verdadeiro valor já que pode ser trocado a qualquer instante. Essa desvalorização não se aplica apenas ao material, mas principalmente aos seres humanos. Ocorre uma distorção de valores em que as pessoas são definidas pelo que elas têm e não pelo que elas são.

Sem contar ainda que a preocupação exagerada pelo ter acaba gerando um egoísmo e individualismo que nos impede de enxergar a realidade daqueles que nos cercam e clamam por ajuda. É a chamada “globalização da indiferença” muito bem abordada pelo Papa Francisco em seu discurso de abertura da Quaresma neste ano.

Mas os cidadãos precisam enxergar o outro a sua frente, pois é através da conscientização e mobilização social que podemos juntar forças para compelir os governantes a promover uma gestão mais integradora e acolhedora que enxergue as verdadeiras carências das minorias. Isso é planejar economia! O que só acontecerá quando muitos de nós deixarmos de ser apenas servidos e passarmos a servir.

“Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45): este é o lema da Campanha da Fraternidade de 2015, cujo tema é Fraternidade: Igreja e Sociedade, que neste ano trata da missão evangelizadora da Igreja na sociedade e seu papel de serviço ao povo. Mas o servir não deve ser apenas da Igreja e sim de cada um de nós na construção do desenvolvimento humano integral.

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