Na última sexta-feira, dia 09 de junho, fui ao cinema assistir ao filme O Jardim das Aflições – O filme que não deveria existir. O documentário mostra um pouco do percurso biográfico, a rotina e o pensamento do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho.

Nunca fui católico, acho que o fumo é prejudicial e discordo do Olavo em várias outras questões, mas considero inadmissível o boicote que o filme sofreu por alguns intelectuais de esquerda. Se você não sabe do que estou falando, recomendo que leia:

Josias Teófilo, diretor do documentário

O filme retrata o cotidiano do filósofo na sua casa em Colonial Heights, estado da Virgínia (EUA), onde reside atualmente, captando a atmosfera de trabalho intelectual, convívio familiar e, principalmente, o seu pensamento filosófico no que concerne à autonomia da consciência individual em oposição à tirania da coletividade.

Para quem já conhece o trabalho de Carvalho, o filme não traz nenhuma novidade. Apenas registra algumas ideias e conceitos constantemente trabalhados em suas aulas. A partir dos últimos vinte ou trinta minutos o documentário registra a verve religiosa de Olavo. Cenas dele na missa, rezando com a família antes da refeição, comentando sua compreensão do cristianismo – o catolicismo em especial – como uma verdade e não como uma crença.

Podemos até discordar desse posicionamento, mas não podemos negar seu direito à liberdade de expressão.

O filósofo caçando urso nas matas da Virgínia

Em artigo para a Folha de S. Paulo, Inácio Araújo diz que o filme não traduz bem as ideias do filósofo. Eu discordo. Claro que não é possível condensar o trabalho de uma vida num filme de uma hora e vinte, mas aquilo que está lá é, em essência, o pensamento “olaviano”.

A contraposição entre a vida cotidiana e a transcendência filosófica é o eixo de sustentação do documentário. O filme se propõe como um estudo poético sobre o personagem cada vez mais conhecido e estudado no Brasil, com milhares de exemplares vendidos – o best-seller: O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota, uma coletânea de artigos escritos entre 1997 e 2013, vendeu mais de 320 mil cópias. Segundo o editor Carlos Andreazza, Olavo é um dos poucos autores brasileiros que poderia viver só dos direitos autorais dos seus livros.

Matheus Bazzo, Olavo de Carvalho e Josias Teófilo

O filme é dirigido por Josias Teófilo, cineasta pernambucano radicado na Virgínia (EUA), e tem entrevistas de Wagner Carelli, também jornalista e criador das revistas Bravo! e República. A produção é de Matheus Bazzo.

Muito mais do que um documentário, o filme é uma obra de arte para entender um dos pensadores que mais influenciaram o pensamento nacional dos últimos vintes anos.

Matheus Bazzo e Josías Teófilo

Te desafio a vencer o preconceito e assistir ao filme. Será bem melhor do que criticar sem conhecer. Afinal, democracia só existe nas arenas em que existe a oposição.

Para maiores informações, recomendo que visitem o site oficial do filme.

 

  • Direção: Josias Teófilo
  • Duração: 81 minutos
  • Recomendação: 12 anos
  • País: Brasil/EUA
  • Ano: 2016

José Fagner Alves Santos

  • PERUIBENSE

    Olavo é sem dúvida um grande homem. Poderia ter se submetido ao “mainstream” midiático brasileiro, e feito muito sucesso como colunista de alguma revista de grande circulação, tendo como fãs muitos esquerdistas chiques, mas escolheu ser fiel com a própria cosmovisão. Sem o esforço dele, a extrema esquerda teria muito mais chances de transformar este país numa Venezuela continental.

    • Fagner

      O bacana de tudo isso é que o filme acabou sendo mais comentado.