Ninguém nasce pronto. O mito do artista que já nasce sabendo não deveria mais existir em nossa sociedade

Fenômeno curioso e que parece estar se popularizando é o do pretendente a escritor que se recusa a aprender a própria língua em que escreve. São pessoas – vejam só – que se acham tão geniais ao ponto de dispensarem a assimilação das regras mais rudimentares de escrita. Chegam a argumentar que a editora – qualquer uma que se interesse por publicar suas obras geniais – se encarregará da revisão.

Não passa pela cabeça desses jovens aspirantes que, nenhuma editora vai se dar ao trabalho de analisar um texto incompreensível. Afinal, erros na ortografia todos nós cometemos e é para isso que existe o editor, não negamos. Mas, corrigir um texto inelegível é tarefa ingrata. A não ser que o conteúdo ali exposto seja de extrema importância para a humanidade.

Talvez seja isso, talvez aquilo que esses escritores tenham para dizer seja tão genial que eles não podem perder tempo aprendendo como dizer. Talvez suas ideias revolucionarão o universo em que vivemos. E, em função disso, devemos fazer o maior esforço possível para compreender suas sábias palavras.

Agora, falando sério. Gente, vamos ler um pouco mais. Vamos prestar atenção em como o escritor X ou Y construiu aquela cena. Vamos aprender o básico de gramática. Eu também careço de conhecimento gramatical, reconheço, mas tento minimizar meus erros com revisões e um pouco de pesquisa. É claro que sempre acaba passando alguma coisa. Agora, imagine se eu não revisasse.

Vamos atentar para como aquele autor apresentou o primeiro parágrafo de sua obra. Vamos praticar imitando nosso autor preferido, depois outro e outro e mais outro, até que essas várias influências nos ajudem a criar voz própria.

E tenhamos em mente que, não é porque você escreveu um livro de duzentas e tantas páginas que as editoras têm a obrigação de publicar. É preciso ser conhecido no mercado, é preciso ter um público alvo bem definido, é preciso ter um bom texto.

Os editores leem muito material todos os dias. Eles sabem diferenciar o bom do mau escritor já nos primeiros parágrafos.

Pare de se sentir injustiçado. Atualmente existem várias plataformas de publicação online com custo zero. Escreva e publique com a maior frequência que puder. Conheça outros autores, faça amizades. Edite seus textos em fanzines, afinal, tem a turma que ainda prefere o impresso. Essas experiências te ensinarão muito sobre o mercado editorial, sobre escrita, sobre relações profissionais.

Para que as coisas aconteçam, você precisar estar pronto.

 

José Fagner Alves Santos