Um animal diferente apareceu em uma praia de Peruíbe e logo chamou a atenção da reportagem de O Garoçá, que se dedicou a descobrir quem era aquele pequeno ser.

Após pesquisa e consulta a biólogos, chegou-se ao Velella velella, que é um parente próximo das medusas e das caravelas. O cnidário foi fotografado no último final de semana na Praia  das Ruínas.

Sem um nome popular conhecido, este pequeno e frágil animal pode passar despercebido à sua frente ou ser confundido com um plástico ou algum tipo de borracha mole mas, com um olhar mais atento, a sua beleza chama atenção logo de cara: Um tom de azul forte nas bordas que vai ficando claro até chegar ao transparente do centro, onde ele ergue uma “vela” incolor por onde é empurrado pelo vento para as águas quentes e temperadas de todo o mundo.

Com aproximadamente 7 cm de diâmetro, esta “pequena vela” (= velella) alimenta-se de pequenos organismos – em geral zooplâncton – que capturam com tentáculos pendentes na parte submersa. Produzem uma toxina paralisante que injetam quando são tocados, letal para suas presas, mas totalmente inofensiva aos seres humanos. Não é preciso ter medo caso encontre algum na praia, mas é aconselhável não tocar o rosto ou os olhos ao manusear algum espécime.

Veja um vídeo feito com exclusividade pelo Garoçá

É comum encontrar milhares de velellas flutuando em áreas oceânicas distantes da costa mas, como elas não têm capacidade autônoma de locomoção, o vento pode fazer com que elas encalhem nas praias e morram. Existe registros de camadas de animais em apodrecimento, com alguns centímetros de espessura, na América do Norte e também na Irlanda.

No litoral de São Paulo, há o registro de 200 tipos diferentes de cnidários, de acordo com um trabalho apresentado em 2002, feito principalmente em São Sebastião.

Em Peruíbe, os trabalhos mais próximos encontrados foram realizados na Juréia, mas o conhecimento ainda é limitado, por conta das poucas amostragens. Em uma publicação no livro “Ambiente Físico, Fauna e Flora, da E.E. Juréia Itatins”, de 2004, foram classificadas 17 espécies de cnidários, todas já registradas para o litoral paulista, mas não há qualquer citação das velellas, tavez por que os trabalhos foram direcionados aos animais bentônicos, isto é, aqueles que vivem no fundo do mar.

Os únicos registros conhecidos feitos na cidade são recentes: um na praia do Guarauzinho (Amar o mar, 2015) e o desta publicação (Garoçá, 2017).

Reportagem, Pesquisa e Texto: Márcio Ribeiro

Fotos e Filmagem: Márcio Ribeiro

Colaboração: Priscila Tomás

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MTB: 0078407

Citações e Fontes para pesquisa

MARQUES, Otávio A. V. & DULEBA, Wânia (Estação Ecológica de Juréia Itatins, Ambiente Físico, Fauna e Flora – Editora Holos 2004)

MIGOTTO, A. E.; MARQUES, A.C. & DA SILVEIRA, F.L. & MORANDINI, A.C. 2002. Checklist of cnidaria Medusozoa from Brazil. Biota Neotrópica, 2: 1-35

JUNQUEIRA, Ottoniel. (Projeto Amar o Mar, Peruíbe – 2015)

RIBEIRO, Márcio (Editoria Livre / O Garoçá – percorrendo as praias de Peruíbe e região, publicação online disponível em http://editorialivre.com.br/conheca-o-pequeno-e-exotico-animal-marinho-fotografado-na-praia-de-peruibe/

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