Encontrar emprego de jornalista é quase impossível. Quais são os primeiros passos? Que direção seguir? Onde eu devo focar minhas energias se não tenho experiência?

Já comentei aqui sobre a dificuldade em conseguir engrenar uma carreira depois de concluir a faculdade. O jornalismo é uma profissão que necessita de uma boa rede de contatos para dar certo. O ideal é que se crie o network durante o curso universitário. Tentar estabelecer e cultivar contatos antes da formação pode ser muito útil.

A verdade é que, se você não tiver indicação dificilmente conseguirá emprego num jornal de médio porte. Mas, caso você já tenha se formado e não tenha conseguido emprego na área ainda, o que fazer? Uma colega lá de Salvador me enviou recentemente um e-mail perguntando sobre o mercado de trabalho para jornalistas aqui na cidade de São Paulo. Fui muito sincero na resposta, deixei claro que sem indicação ela não teria chances.

Como diria o escritor Ricardo Lísias, em seu livro, Divórcio:

Você nunca vai entrar em uma redação sem ser indicado. Alguém ali te conhece ou foi atrás de informação sobre você. É o mesmo sistema com as fontes. Jornalismo é fonte (…)

Cada caso é um caso. Se você tem contatos, se você tem uma indicação, se você conhece gente do meio editorial, talvez você possa entrar em contato para pleitear uma vaga. Caso contrário suas chances serão muito pequenas. Enviar currículo nunca deu resultado, ao menos não para mim.

Até você abrir os classificados era possível esquecer a essência do emprego da pessoa média, que era: você executa essas tarefas de “inserção de dados”, “telemarketing” ou “digitação de textos” que vão matar sua alma aos poucos e nós relutantemente lhe daremos dinheiro.

Escreve Jonathan Franzen, em seu livro, “Tremor”.

A recomendação que dei para essa colega de Salvador –e que pode servir para muitos outros que estejam em situação parecida – é muito simples: crie um blog e comece a mostrar o seu trabalho. Comece a fazer reportagens e artigos com o máximo de qualidade que você puder. Tire boas fotos, redija bons textos, diversifique o formato. Se você tem afinidade com rádio, crie um podcast; se você gosta de TV, crie um canal no Youtube. Faça o melhor trabalho que você puder. Assim você terá um portfólio, uma amostra do que você é capaz de fazer. Em resumo, você terá experiência sem ter oficialmente trabalhado na área.

Mas, cabe aqui uma ressalva: não vá criar um blog, podcast ou canal do Youtube para falar de quadrinhos, cinema e séries de TV. Não é que você não possa fazer isso, mas o mercado já está cheio. Você pode fazer diferente de tudo que existe e pode até se destacar, mas será muito mais trabalhoso. Sem falar que você estará concorrendo com veículos grandes e jornalistas já consolidados com muito mais recursos de fazer esse tipo de cobertura do que você. Não entendeu? Eu explico.

O jornalista Fábio Barreto, que mora em Hollywood, publica periodicamente entrevistas exclusivas com atores, autores e produtores de filmes e séries de TV. Se você quiser informação de qualidade sobre esse tema, irá até o blog dele ou até algum outro blog que replica o conteúdo que ele produz?

Volto a dizer, você até pode trabalhar com um conteúdo que é apenas replicação do que existe na rede, você até pode se dar bem trabalhando assim, mas será muito mais trabalhoso. Para começar seria mais fácil reportar a sua realidade.

Eu sei que é chato falar de buraco na rua, mas você deveria ter pensado nisso antes de ter escolhido o jornalismo como profissão.

Depois que você já tiver com um bom portfólio na rede, já tiver feito boas reportagens, conquistado seu público, e ainda assim tiver interesse, poderá enviar propostas de pautas para os veículos já consolidados. Suas chances serão bem maiores.

É um caminho longo e trabalhoso, mas dessa forma você terá o seu próprio público e talvez nem precise dos veículos de comunicação tradicionais.

E você, como fez para se encaixar na profissão? Compartilhe sua experiência conosco. Seu relato pode ajudar outras pessoas.

José Fagner Alves Santos

Este artigo faz parte da campanha #PEDAblogBR.