Postado em 14 de junho de 2015 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Compor o elenco de um musical não é tarefa simples já que, além de atuar, os atores precisam cantar e dançar ao mesmo tempo, atingindo o sincronismo perfeito, o que exige incontáveis horas de ensaio com muito esforço e dedicação. E se o artista for o protagonista do espetáculo musical, interpretando um grande gênio do mundo cinematográfico, então nem se fala. Mas nada que não seja páreo para o ator Jarbas Homem de Mello encarar. Ele está protagonizando Chaplin – O Musical, em cartaz no Theatro NET São Paulo.

 O espetáculo narra a biografia de Charles Spencer Chaplin (1889 – 1977), mais conhecido como Charlie Chaplin, que ficou famoso mundialmente como um dos maiores artistas cinematográficos do planeta e se destacou principalmente no cinema mudo, com o seu incrível talento de provocar as mais diversas sensações na plateia sem dizer uma palavra, apenas com seus gestos e olhares – com o grande dom de transmitir a explosão de sentimentos interiorizados dentro de seus personagens de forma tão sutil e ao mesmo tempo tão clara ao público.

O musical narra não apenas a biografia artística de Chaplin, como também confere bastante enfoque à sua vida pessoal, envolvendo os diversos escândalos políticos e amorosos nos quais ele se meteu, revelando a sua forte personalidade, com a qual muitas vezes era difícil lidar.

A história começa trazendo a pobre e humilde infância de Chaplin em Londres (interpretado pelo garoto Gabriel Cordeiro, de 10 anos), até que, com o passar dos anos, ele vê sua vida mudar completamente (neste momento o papel já é assumido por Jarbas), quando seu talento artístico é descoberto nas apresentações teatrais que ele participava e assim acaba indo parar em Hollywood. Lá, sua carreira artística decola de vez quando ele dá vida a um dos mais famosos personagens do cinema e que se tornou idolatrado por todas as gerações: Carlitos, o Vagabundo.

Sempre agenciado por seu irmão Sidney (papel de Marcelo Antony), Chaplin evidencia, ao decorrer da peça, seu perfil ambicioso e sempre sedento por mais e mais sucesso, o que o levou muitas vezes a tomar atitudes pouco éticas e desmedidas em busca de mais fama e reconhecimento – culminando em consequências nada agradáveis para ele e muito bem representadas ao final do musical.

O espetáculo ainda é complementado por projeções de cenas reais de alguns filmes “chaplinianos” como Tempos Modernos e O Grande Ditador em telões espalhados pelo palco.

 É louvável o trabalho cênico de Jarbas, potencializando seu talento no palco tanto para a atuação quanto para o canto e a dança, todos em excelente compasso. Também é válido citar o excelente trabalho de Paulo Goulart Filho no papel do diretor Mack Sennett – fundador dos estúdios Keystone, em Hollywood –, que dirigiu Chaplin no começo de sua carreira nos cinemas e que deu altas broncas no gênio da comédia muda, devido a sua dificuldade inicial em atuar para os telões, já que até então ele estava habituado ao teatro.

Com 140 minutos de duração, Chaplin – O Musical tem direção de Mariano Detry, produção de Claudia Raia e Sandro Chaim e versão brasileira de Miguel Falabella. Só o contexto histórico desta bela obra já tem peso o suficiente para arrancar lágrimas da plateia tanto de alegria, quanto de emoção.

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