A carta aberta que as prefeituras da Baixada Santista divulgaram, criticando as autoridades marítimas da região, após acidente que derrubou 40 contêineres, parece que não serviu de nada.

É que sete dias depois, um outro acidente grave  provocou o derramamento de quase 12 mil litros de óleo diesel em São Vicente, contaminando os cursos d’água da região.

Isso mostra que as garantias dada pelas autoridades não passam segurança e quem sofre com isso é a população e o meio ambiente.

E olha que ainda querem instalar uma usina termoelétrica em Peruíbe, um dos últimos locais do mundo que ainda preserva a Mata Atlântica intocada. As autoridades garantem que o empreendimento não vai causar qualquer dano para o meio ambiente.

Você acredita?

Veja a carta assinada por representantes de todas as cidades da baixada santista, exceto Peruíbe, que foi a única que não assinou.

“Ao invés de famílias caminhando pela orla e grupos praticando lazer e esporte, o cenário do último final de semana nas praias da região poderia ter sido muito, muito diferente – ecossistema marinho contaminado, vidas afetadas, infraestrutura comprometida, comércio e turismo prejudicados.
A queda de 47 contêineres no mar é, portanto, um novo sinal de alerta, mais uma advertência para toda a sociedade, principalmente quando sabemos que o Porto de Santos recebe, por ano, mais de 3 milhões de contêineres.
Diante disso, que constatações tiramos do acidente com o navio Log in Pantanal?
A mais alarmante é o silêncio com que as autoridades portuárias trataram o tema.
Sob que circunstâncias e por quais motivos agiram assim, não se sabe. O que ficou patente, porém, foi o silêncio, um comportamento que parece se tornar praxe nessas ocasiões, o que gera uma profunda sensação de insegurança.
E isso em um porto que, salientamos, recebe mais de 3 milhões de contêineres por ano, um porto no qual, recentemente, descobriram-se, esquecidos (!), centenas de cilindros de substâncias altamente tóxicas, capazes de provocar uma catástrofe sem precedentes.
Nós, como secretários de Meio Ambiente da Baixada Santista, queremos construir uma relação de reciprocidade. Queremos que haja confiança e parceria em tudo que cerca a relação porto-cidade.Mas, para isso, precisamos, acima de tudo, de transparência – um princípio basilar em qualquer convívio que conjuga dignidade com profissionalismo.
Nós, como secretários de Meio Ambiente da Baixada Santista, exprimimos aqui, nesta Carta Aberta, não apenas a nossa preocupação, mas também e principalmente o anseio de que tais fatos, dentro desse contexto de desinformação, não se repitam jamais.
Acidentes acontecem. Que todos estejamos preparados, alertas e definitivamente unidos para atuarmos conjuntamente. Essa é a verdadeira forma de demonstrar respeito por todos que aqui vivem e nos visitam.
Com serenidade e firmeza”.

– Marco Antonio Godoy  (Secretário Municipal de Meio Ambiente de Bertioga)
– Mauro Haddad Nieri (Secretário Municipal de Meio Ambiente de Cubatão)
– Sidnei Aranha (Secretário Municipal de Meio Ambiente de Guarujá)
– Ruy Manoel Alves dos Santos (Secretário Municipal de Meio Ambiente de Itanhaém)
– Marcelo da Silva Ramos (Diretor do Departamento de Meio Ambiente de Mongaguá)
– Israel Lucas Evangelista (Secretário Municipal de Meio Ambiente de Praia Grande)
– Vitor Carlos Vitório do Espírito Santo (Secretário Municipal de Meio Ambiente de S. Vicente)
– Marcos Libório (Secretário de Meio Ambiente de Santos)

Reportagem e Foto: Márcio Ribeiro

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publicado em agosto de 2017 – todos os direitos reservados

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