Um drama pesado que vai apenas alimentando o nível de tensão e sofrimento dos personagens conforme o desenrolar do filme. Assim é Biutiful, que talvez pela brilhante atuação dos atores dentro de um caráter extremamente realista, concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

No entanto, a produção do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, peca por trabalhar em uma linearidade de ações previsíveis que não se inovam no decorrer da trama e nem surpreendem a plateia que já fica no aguardo por mais uma sequência de emoções trágicas e depressivas que tomam conta do filme. Não que tal peso emotivo acabe por atrapalhar a história, mas sim o fato de ter sido mal trabalhado para que o sofrimento presente pudesse ser surpreendente e não linear.

 

Apesar de ser previsível, tal peso dramático é muito bem explorado pelo ator Javier Barden (Onde os Fracos Não Tem Vez) no papel de Uxbal, um homem que atua em várias atividades do comércio ilegal para sustentar seus dois filhos pequenos, além de ter de suportar o total desequilíbrio emocional de sua ex-mulher, que não deixa de persegui-lo. De arrumar uma melhor condição de vida para um grupo de chineses ilegais que vivem em condições precárias a explorar suas habilidades de conversar com os mortos para lucrar com isso, Uxbal faz de tudo para melhorar a situação familiar.

 

Como se já não bastassem os problemas de sua vida agitada, o homem ainda tem de lidar com algo trágico, um grave câncer que lhe garante apenas dois meses de vida, e que vai destruindo-o cada vez mais, de forma que ele faz de tudo para esconder a doença dos seus filhos.

 

O filme também concorre ao Oscar de melhor ator para Javier Barden quem realmente salva essa produção cinematográfica.