Antigo caminho do imperador e servindo moradores, turistas e pescadores, a Trilha do Costão ganhou corrimões, degraus e pontes quando foi estruturada pela Associação dos Monitores Ambientais de Peruíbe – AMAP, no ano 2000.

Hoje está completamente abandonada e poucos são os que se atrevem a se aventurar pelo local. Mesmo assim, ainda encanta turistas e moradores por conta de sua beleza.

Para acessá-la, o aventureiro tem que chegar à praia do costão, localizada no sopé do majestoso Itatins. Ali já é um lugar muito bonito, por conta do visual das montanhas, mata e mar.“Este cantinho de Peruíbe é muito impressionante. Quem for ali tem sombra, sol e água fresca, por conta da bica”, afirmou o jornalista Vinício Mancuso, ao visitar o local pela primeira vez.

A trilha começa atrás da bica, tem 427 metros de extensão, grau de dificuldade moderado e tipo de solo argiloso (trechos de umidade), mas o início já não é muito agradável.

O cheiro forte de fezes humana contrasta com uma bonita aroeira e um enorme paredão de pedras coberto por bromélias e caraguatás floridos.

No chão da trilha não há mais os degraus para facilitar a caminhada. Em seu lugar há preservativos usados, plásticos, latinhas de alumínio, garrafas pet e uma porção de outros itens, fazendo com que o visitante desavisado desista da trilha. Um pouco à frente, a ponte de madeira está “banguela” e perigosa para as pessoas.

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Por conta disso, os usuários deste ex-equipamento turístico abriram um caminho ao lado, impactando negativamente a trilha. “A ponte é importante porque preserva o manancial evitando que o local seque por   problemas de erosão no solo”, contou o Monitor Ambiental Nélio Pinheiro Ribas Junior.

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Durante todo o percurso, é possível ver diversos caminhos abertos sem autorização, provavelmente feitos por caçadores ou usuários de drogas, um outro problema local, “Já andei naquela da trilha, mas tenho medo dos jovens que entram e saem do mato. Acho que eles ficam se drogando”, Maria Aparecida, turista de Marília.

Na trilha, é possível encontrar Guaperuvus, Brejaúvas, Helicônias, Cuvatã, Samambaia-Açu, Caraguatás e diversas outras espécies vegetais. Na fauna, os mais comuns são os Macacos-Pregos, Cobras, Esquilos, Tucanos, Quatis, Tatús, Sabiás e Jacús, dependendo da época do ano. Por conta disso, foi muito utilizada para a Educação Ambiental.

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“Em 2004, o Departamento de Meio Ambiente contratou um grupo de Monitores Ambientais que utilizava a trilha para educação ambiental. Ela era muito útil para todos nós e as crianças aprendiam e gostavam muito”, lembra o Monitor Ambiental Henry Ferraz.

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Além de atividades educativas, corta caminho para a Prainha e Praia do Índio, para quem vai a pé, já que ela leva para um trecho da estrada do Guaraú, evitando as cansativas subidas da Caixa d’água da Sabesp.

No interior dela, há uma bifurcação que serve para acessar o costão rochoso e para um mirante com um visual muito bonito, de onde é possível visualizar a encosta dos Itatins, a praia do costão e a orla de Peruíbe, impressionando positivamente o visitante.

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“Achei muito legal esta trilha e fácil de andar. Ela é mesmo muito bonita, me encantei e quero voltar mais vezes, já que ela está localizada bem pertinho” falou Gabriela Yano, chefe dos escoteiros de Peruíbe.

Nélio Pinheiro Ribas Júnior trabalhou na estruturação da trilha, feita há treze anos, e fica triste com o estado em que ela se encontra atualmente. “Dá pena de ver um trabalho que seria útil, socialmente e economicamente e que agora está abandonado. Virou sucata!”. Ele ainda falou sobre o custo para fazer uma nova estruturação: “Em apenas três meses toda a trilha ficaria estruturada novamente, pelo custo de 11 mil reais e ainda empregaria cinco pessoas para a execução dos trabalhos”. 

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A reportagem procurou a Prefeitura municipal de Peruíbe para ver se há um novo projeto de estruturação da trilha ou algo que evite a sua degradação e que faça com que ela esteja em boas condições de uso novamente.

A resposta da prefeitura foi: “Há um impedimento legal para a manutenção da trilha por parte do município, uma vez que se trata de uma área de preservação ambiental, protegida por leis estaduais e federais”. 

Apesar da resposta da Prefeitura, o GAROÇÁ entende que o poder público deveria saber que a manutenção da trilha ajuda a diminuir o impacto ambiental, ajudando o meio ambiente. A proteção por leis estaduais e federais não deveria ser um impedimento e sim uma justificativa para arregaçar as mangas e enfrentar o problema de frente, tratando de saná-lo. A trilha do costão pode se tornar um equipamento turístico, importante e saudável, necessário para as pessoas de todas as idades.cuspidor

Texto, Fotos e reportagem: Márcio Ribeiro
Postagem: O Garoçá

Todos os direitos reservados – Novembro de 2016

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